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Otegi: "ETA está preparada para pôr fim à violência"

Em entrevista ao Wall Street Journal a partir da prisão, o líder do Batasuna prevê ainda que os "próximos acontecimentos" irão forçar Madrid a negociar o fim do conflito.

Sem revelar a que acontecimentos se está a referir, o líder político quis avançar nesta entrevista, dada por escrito, com um cenário de negociação entre governo e a ETA. "Parece-me lógico que o governo espanhol exija garantias para preservar a segurança dos seus cidadãos", disse Otegi ao WSJ. "E nós estamos dispostos a dar quantas garantias forem necessárias para provar que a nossa postura é firme e irreversível", acrescentou o líder político da esquerda independentista do País Basco, que desde Outubro de 2009 está na cadeia por ser o porta-voz do Batasuna, acusado de "glorificar o terrorismo", um crime introduzido na lei para afastar candidatos das forças políticas que não condenam expressamente as acções da ETA.

Embora não especifique que garantias estariam dispostos a dar num eventual acordo para o fim do conflito, Otegi lembrou nesta entrevista que "os partidários da ETA deram a entender que estão dispostos a submeter-se à supervisão de observadores internacionais, como fez o Exército Republicano Irlandês durante o processo de paz na Irlanda do Norte".

O líder do Batasuna diz ainda que a sua organização se opõe a "qualquer violência como forma de conseguir objectivos políticos" e as suas declarações vêm na sequência do cessar-fogo anunciado pela ETA em Setembro passado, três anos depois do falhanço das negociações de paz.

Da parte do governo, a reacção continua a ser de forte desconfiança, à semelhança do que aconteceu com o recente anúncio de cessar-fogo. Alguns analistas vêem também nesta mensagem a vontade da esquerda abertzale tentar furar a legislação que actualmente a proíbe de apresentar listas eleitorais sem uma condenação expressa das acções armadas da ETA quando estamos a cinco meses de distância das eleições locais.

 

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