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Igreja alerta para agravamento da crise em 2011

Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa critica políticas "apenas marcadas por imposições de austeridade" e Bispo das Forças Armadas denuncia aproveitamento político da pobreza.
Aumento do desemprego e medidas de austeridade, entre as quais a alteração das regras relativas ao subsídio de desemprego e as condicionantes impostas no Rendimento Social de Inserção, irão duplicar necessidades e o aumento dos fenómenos de exclusão social. Foto de Paulete Matos.

O Bispo das Forças Armadas, Januário Torgal Ferreira, e o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, Jorge Ortiga, partilham a mesma opinião: a situação económica e social dos mais desfavorecidos irá agravar-se em 2011.

Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa critica políticas de austeridade

Segundo Jorge Ortiga, as medidas de austeridade, entre as quais a alteração das regras relativas ao subsídio de desemprego e as condicionantes impostas no Rendimento Social de Inserção irão traduzir-se, em 2011, no aumento dos fenómenos de exclusão social e na duplicação das necessidades.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa considera que os portugueses poderão assumir uma posição mais reivindicativa e pró-activa. Segundo este responsável da Igreja católica, “a sociedade portuguesa tem vivido [até agora], digamos, com calma”, mas esta situação não se deverá manter, já que "quando não há o essencial para viver, o povo não se cala".

O clérigo lamentou ainda que as políticas adoptadas sejam "apenas marcadas por imposições de austeridade", e afirmou que o Governo devia pensar "na questão do emprego, porque se não houver emprego e trabalho é evidente que as condições não podem melhorar". Jorge Ortiga prometeu, entretanto, “denunciar situações que surjam” num ano em que “a política de austeridade vai criar mais pobreza”.

Bispo das Forças Armadas denuncia aproveitamento político da pobreza

O Bispo das Forças Armadas considera uma “pouca-vergonha” o aproveitamento político da pobreza e atribui responsabilidades ao Presidente da República, Cavaco Silva, e ao primeiro-ministro, José Sócrates.

Januário Torgal Ferreira, em declarações à Antena 1, afirmou: que, “até ao fim de Janeiro, Fevereiro, sem cair em fundamentalismos de base e de datas, se o Governo português não disser a verdade, se não apresentar alternativas, se não indicar apoios, se não apresentar ajudas e solidariedade, se não tiver uma atitude aberta e andarem com retóricas entre o Presidente da República e o primeiro-ministro a discutir a utilização dos pobres, que é uma pouca-vergonha, até do ponto de vista cultural, quer de um quer de outro”, “eventualmente poderemos sofrer consequências e convulsões sociais muito graves”.

O Bispo das Forças Armadas alerta: a “civilidade do povo português”, “não é de manter”, se “isto continuar e se a lição não for bem explicada, a começar pelos principais representantes do país, uns dizem que são equilibristas no arame, outros dizem que os pobres são um abcesso que alguns querem lancetar, se isso não for bem explicado, eu não quero cair em exageros nem em profecias, mas desta forma nós não teremos paz”.

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