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Bielorrússia: 600 activistas da oposição condenados

As autoridades bielorrussas condenaram quase 600 activistas e líderes da oposição, das centenas que foram detidas na manifestação de domingo contra os resultados das eleições presidenciais, a penas “administrativas” entre os cinco e os 15 dias de prisão efectiva.
A polícia de choque da Bielorrússia conseguiu retirar, “à bastonada”, da Praça da Independência, em Minsk, os milhares de manifestantes que protestavam contra alegadas fraudes nas eleições presidenciais no país. Foto STR/EPA/LUSA

“Foram tomadas decisões judiciais contra mais de 580 pessoas que participaram na acção da oposição em Minsk”, confirmou esta manhã, terça-feira, porta-voz da polícia na capital bielorrussa, palco de uma violenta repressão, na noite do passado domingo, durante uma manifestação com dezenas de milhares de pessoas que denunciavam como fraudulenta a recondução ao poder do presidente, Alexander Lukachenko, por quase 80 por cento dos votos.

A polícia de choque da Bielorrússia conseguiu retirar, “à bastonada”, da Praça da Independência, em Minsk, os milhares de manifestantes que protestavam contra alegadas fraudes nas eleições presidenciais no país. Segundo jornalistas no local, a polícia fez um grande número de detenções e não permitiu o regresso dos manifestantes à Praça Ovtiabrskaia, onde começou a acção de protesto logo após o encerramento das urnas. Os confrontos provocaram feridos, mas não foram avançados números.

“Não podemos garantir que ao fim desses 15 dias todos sejam libertados. Vamos ver o envolvimento de cada um nos desacatos. Temos fotografias e vídeos suficientes”, avançou aquele responsável, Alexander Lastovski, citado pela agência noticiosa AFP. Muitos dos oposicionistas podem mesmo ver as suas sentenças estendidas até 15 anos de prisão se for dada como provada a sua participação em “desacatos maciços à ordem pública”.

Na véspera, Lukachenko rejeitara liminarmente as críticas do Ocidente sobre a repressão exercida pelas autoridades à oposição, qualificando a manifestação de domingo como “banditismo” e asseverando que “não haverá nenhuma revolução” no país, que governa há 16 anos com um regime autocrático que lhe valeu a alcunha de “último ditador da Europa”.

Apesar de um período pré-eleitoral relativamente permissivo, em que o regime permitiu não apenas a admissão de nove outros candidatos presidências mas também a sua participação em debates nas rádio e televisão públicas, Minsk exerce agora uma repressão dura à oposição – que, de resto, nunca teve grande margem de crescimento sob a governação de Lukachenko.

Segundo adianta o Público, esta terça-feira, o Ministro da Justiça, Victor Golovanov, anunciou que os partidos da oposição estão em sério risco de serem banidos ao ser provado o envolvimento dos seus líderes nos “tumultos” de domingo à noite.

“Vamos analisar a eventual liquidação dos partidos e movimentos cujos órgãos directivos tomaram a decisão de participar nas acções não autorizadas e nos tumultos maciços”, afirmou aquele membro do Governo, citado pela agência noticiosa russa estatal Interfax.

Oposição convoca manifestação de solidariedade com detidos

A oposição bielorrussa apelou a uma concentração durante esta terça-feira perto da prisão preventiva de Minsk, em sinal de solidariedade com os militantes da oposição detidos durante os confrontos com a polícia no passado domingo.

Grigori Kostussev, candidato a Presidente da Frente Popular da Bielorrússia, declarou que a oposição começou a reunir meios financeiros para pagar aos advogados dos outros candidatos detidos e para pagar as multas.

Segundo Kostussev, os dirigentes dos partidos da oposição que se encontram em liberdade, bem como líderes de movimentos sociais, publicaram um comunicado que condena as acções das autoridades contra os manifestantes. 

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