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Julian Assange: WikiLeaks enfrenta “investigação super agressiva” pelos EUA

A WikiLeaks é alvo de “investigação super agressiva” e secreta, conduzida por autoridades dos EUA, perturbadas por uma perda de prestígio depois da divulgação de milhares de telegramas diplomáticos dos EUA, disse o fundador da organização, Julian Assange. Por Peter Walker.
Manifestante à porta do tribunal onde Julian Assange foi a julgamento. Foto EPA/ANDY RAIN

Falando aos jornalistas na calçada de Ellingham Hall, a casa de campo em Norfolk na qual está em liberdade condicional, sob fiança, depois de sair da prisão, Assange disse que WikiLeaks é objecto “do que parece ser uma investigação ilegal (...) pessoas supostamente ligada a nós estão sendo detidas, são seguidas, os seus computadores são atacados, etc.”.

Disse que há “80% de probabilidade” de que as autoridades norte-americanas estejam a preparar o que parece ser uma tentativa para extraditá-lo para os EUA, onde esperam acusá-lo de crime de espionagem.

Disse que confia que a opinião pública se imporá contra “uma superpotência que não dá sinais de respeitar qualquer lei.”

“Eu diria que estamos a sofrer uma investigação muito agressiva. Muita gente perdeu prestígio e respeitabilidade, e muitas pessoas sonham com ganhar notoriedade associando-se a casos judiciais rumorosos, mas, de qualquer modo, estão a acontecer coisas que têm de ser acompanhadas de perto” – disse ele.

Criticou o modo como as autoridades suecas tentaram obter a sua extradição para a Suécia, para ser julgado por atentado sexual – causa de ter permanecido preso por dez dias.

“Aí está algo que tem de ser acompanhado de perto”, disse. “Já vimos como se comportou o procurador sueco, nas representações do governo britânico aqui em Londres, e os Tribunais britânicos dizem que a Suécia não precisa exibir prova alguma – disseram isso três vezes – e, de facto, jamais apresentaram prova alguma nas audiências sobre o pedido de extradição, cujo único resultado foi eu ter sido metido numa cela solitária, por 10 dias.

“Nos EUA também está em andamento o que parecem ser investigações secretas ordenadas por tribunal secreto contra mim e contra a nossa organização – não há uma notícia sobre o que de facto estão a fazer."

Actualmente, todos os esforços da WikiLeaks estão concentrados em enfrentar inúmeros ataques, inclusive ataques técnicos contra a página na Internet, disse Assange.

“Estamos a gastar mais de 85% de nossos recursos económicos só no trabalho de enfrentar os ataques – ataques técnicos, ataques políticos e ataques legais. Não estamos a conseguir fazer jornalismo, que é o nosso trabalho”, disse. “Se quiserem ver de outro modo, o jornalismo de investigação está a ser violentamente atacado”.

Assange disse estar preocupado ante o risco de ser mandado para os EUA e acrescentou: “Muitas figuras públicas importantes nos EUA, inclusive senadores eleitos, já pediram minha a execução, que minha equipe fosse sequestrada, que matassem o jovem soldado Bradley Manning ... É uma situação extremamente grave.

“Os EUA mostraram recentemente que suas instituições não agem sempre conforme a lei manda. Enfrentar uma superpotência que se ponha acima da lei é negócio muito, muito sério”.

Os esforços dos EUA para conseguir processar Assange parecem estar dependentes de se conseguir conectá-lo a Manning, fonte pressuposta dos telegramas vazados.

Assange, australiano, dedicou-se empenhadamente em desvincular-se de Manning, referindo-se a ele como “um jovem que acabou envolvido no nosso trabalho de publicação” e dizendo que WikiLeaks não conhece as suas fontes. Assange disse também que paralisá-lo, pessoalmente, não deterá o trabalho de WikiLeaks. “As pessoas gostam de pensar que WikiLeaks seria eu e a minha mochila. Isso é falso. Somos uma grande organização.

“A organização é resistente, foi projectada para sobreviver a ataques de decapitação. De facto, o ritmo da divulgação de telegramas aumentou durante o tempo em que estive confinado numa cela solitária”.


Artigo de Peter Walker (The Guardian), traduzido por Colectivo Vila Vudu/Rede Castorphoto.
 

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