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Um em cada cinco jovens não terá trabalho em 2012

O futuro incerto de que a geração 500€ sempre se queixou é agora mais previsível, mas isso não é uma boa notícia. O desemprego penalizará sobretudo os mais jovens, com a percentagem de desempregados entre os 15 e os 24 anos a manter-se acima dos 17% até 2012.
Foto MaydayLisboa 2009. Em Setembro 19,9% dos jovens com menos de 25 anos e em condições para trabalhar não tinham emprego: 84 mil jovens num universo de 581 mil desempregados.

Segundo um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) divulgado na quarta-feira, o desemprego entre os mais novos vai atingir os 18% em 2011 e os 17% em 2012 na OCDE, ou seja, mais do dobro da taxa de desemprego total (o desemprego afectava 8,6% de jovens e adultos em Outubro de 2010). Na Europa, a taxa de desemprego jovem será ainda mais elevada: pode chegar aos 21% em 2011 e aproximar-se dos 20% em 2012.

Um estudo do Eurostat já revelava que em Setembro 19,9% dos jovens com menos de 25 anos e em condições para trabalhar não tinham emprego: 84 mil jovens num universo de 581 mil desempregados (jovens e adultos).

Esta situação tem acompanhado a escalada da taxa de desemprego total e agravou-se com a crise económica. A geração dos 15 aos 24 anos é a mais penalizada pela falta de criação de emprego e pela precariedade laboral. Desde que a crise começou, mais de 3,5 milhões de jovens ficaram desempregados na área da OCDE. A organização não duvida que "os jovens têm sofrido de forma desproporcionada com as perdas de emprego durante a crise económica global", cita o jornal I, e sublinha que estes números do desemprego não mostram as reais dificuldades dos mais novos. Os números reais dos inactivos não são contabilizáveis.

"Muitos dos que deixaram os sistemas de ensino nem sequer aparecem nas estatísticas do mercado de trabalho", adianta o relatório.

Pelo menos 16,7 milhões de jovens dos 26 países desenvolvidos que integram a organização não estudam, não trabalham nem têm qualquer formação profissional. Entre esses, enquanto 6,7 milhões estão desempregados, 10 milhões estão completamente inactivos e já deixaram de procurar emprego.

Entrar no mercado de trabalho é cada vez mais difícil

A organização que reúne os 26 países mais desenvolvidos do mundo estima que os jovens têm hoje quase duas vezes mais probabilidades de ficar no desemprego do que os trabalhadores adultos. 

Sempre que o desemprego sobe são os jovens com menos de 25 anos os mais vulneráveis porque num contexto de crise são criados menos postos de trabalho, logo as oportunidades de emprego diminuem e os vínculos precários aumentam, concluí-se do deste estudo. 

O relatório da OCDE mostra ainda que a transição entre a escola e o trabalho é cada vez mais demorada. Na Europa, entre 2005 e 2007, pelo menos um em cada cinco jovens entre os 15 e os 29 estava em risco de aceitar empregos precários: 55% deles estavam fora do mercado pela falta de um diploma, por pertencerem a um grupo minoritário ou viverem em áreas rurais; e 45% não tinham um trabalho estável depois de terem começado a trabalhar há dois anos por via de um contrato temporário. 

Para resolver o problema do desemprego: defender o emprego

A OCDE defende que os governos devem investir em programas de apoio à procura de emprego e em medidas como a atribuição de subsídios às empresas para contratação de trabalhadores jovens. O secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, em comunicado, não só sublinhou que a entrada dos jovens no mercado de trabalho vai "tornar mais forte a recuperação económica" como alertou para os riscos de exclusão de uma geração que não consegue obter ou conservar um primeiro emprego.

"Investir na juventude é vital para evitar criar uma geração marcada pelo risco da exclusão de longo prazo. Podemos aprender com os países que facilitaram o acesso ao mercado de trabalho pelos mais jovens", defende Angel Gurría.
 

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