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Roma: revolta contra Berlusconi

Estudantes e trabalhadores que protestavam contra o Governo envolveram-se em duros confrontos com a polícia. Mais de cem pessoas ficaram feridas, no seguimento da rejeição, na Câmara dos Deputados, das duas moções de censura ao Governo de Silvio Berlusconi.
Revolta em Roma, contra Governo Berlusconi. 14 de Dezembro. Foto Claudio Peri/EPA/LUSA

Os protestos contra o Governo estavam anunciados e a polícia tinha blindado o centro da capital para impedir que os manifestantes acedessem às zonas junto ao Senado e à Câmara dos Deputados em Roma.

Em Roma, desfilaram 100 mil manifestantes, segundo os organizadores, na maioria estudantes, mas também desempregados e até habitantes de L'Aquila, a cidade fortemente atingida por um sismo em Abril de 2009. Agora, a cidade de Roma está em estado de sítio e segundo o relato em constante actualização do diário La Repubblica, já se contam pelo menos 100 feridos resultantes dos confrontos.

Também houve protestos significativos em Turim, Bari, Cagliari ou Catânia. Na cidade siciliana de Palermo, uns 500 estudantes conseguiram bloquear o aeroporto Falcone-Borsellino, chegando mesmo a entrar nas pistas. Na capital do Norte, Milão, uma centena de estudantes entrou no edifício da Bolsa.

Os piores confrontos aconteceram junto à sede do Senado e na Praça Veneza, em Roma, quando os agentes carregaram sobre as centenas de estudantes que tentaram furar o cordão policial instalado em redor do Palácio Madama, sede da câmara alta do Parlamento. Antes, tinham lançado pedras, tinta e bombas de fumo. Depois da carga policial, os manifestantes dispersaram, mas as portas do Palácio Madama foram todas encerradas e os senadores foram convidados a permanecer dentro do edifício.

“Cenas de guerrilha urbana no coração de Roma" é o que descreve no seu site o jornal Corriere della Sera. "Roma chocada com os distúrbios" e "Blindados em chamas" são os títulos do La Repubblica on-line.

Nas imediações do palácio Montecitorio, sede da Câmara dos Deputados, registaram-se igualmente conflitos entre a polícia e manifestantes, a maioria dos quais estudantes que protestam contra a reforma universitária proposta pelo Governo.

A reforma nas universidades prevê a fusão dos estabelecimentos mais pequenos e a entrada nos conselhos de administração de peritos externos ao mundo académico. Os críticos da reforma dizem que esta pretende essencialmente poupar.

Berlusconi “escapou” às duas moções de censura

A Câmara dos Deputados italiana rejeitou esta terça-feira as duas moções de censura contra o Governo conservador do primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

As moções apresentadas pela esquerda italiana e pelo grupo de centro-direita do antigo aliado político de Berlusconi, Gianfranco Fini, fracassaram com 314 votos contra, 311 votos a favor e duas abstenções.

A votação das moções de censura foi marcada por um incidente envolvendo a deputada Katia Polidori, membro do grupo parlamentar de aliados de Fini, que decidiu votar a favor de Silvio Berlusconi, contrariando assim a indicação de voto do grupo Futuro e Liberdade para a Itália.

Alguns colegas de bancada de Katia Polidoro insurgiram-se contra a decisão da deputada, que foi defendida vigorosamente por alguns apoiantes de Berlusconi.

A discussão gerou um clima de tensão entre os parlamentares e Gianfranco Fini, presidente da Câmara dos Deputados, suspendeu a votação por alguns minutos.

Mas foi sob a suspeita de compra/venda de votos e oferta de posições políticas que duas deputadas da oposição mudaram a sua expectável decisão de voto. Estes votos valeram a Berlusconi uma suficiente e ajustada vitória na câmara.

Antes da votação das moções de censura na Câmara dos Deputados, o governo de Berlusconi obteve, como previsto, a confiança do Senado por 162 votos favoráveis num total de 308, graças ao apoio do tradicional aliado, Liga do Norte. O resultado desta votação estava previsto porque Berlusconi dispõe de uma confortável maioria com o apoio da Liga do Norte, partido populista e anti-imigração, com maior apoio no norte do país.

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