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Cancún: acordo e adiamento

Documento adoptado em Cancún na Conferência sobre as Alterações Climáticas estabelece alguns mecanismos interpretados como progressos mas adia decisão sobre o futuro do Protocolo de Quioto.
A Bolívia não adoptou o Acordo de Cancún, considerando que foi “um passo atrás”

Os representantes de cerca de 200 países que participaram em Cancún na Conferência sobre as Alterações Climáticas das Nações Unidas, a 16ª COP, adoptaram um documento que estabelece alguns mecanismos interpretados como progressos na direcção correcta, mas nada decidiram quanto ao futuro do Protocolo de Quioto, adiando o assunto para o próximo ano.

A eurodeputada irlandesa Bairbre de Brún, membro do grupo da Esquerda Unitária (GUE-NGL), considera que a adopção do Acordo de Cancún representa um progresso, mas adverte que há muito trabalho para fazer nos próximos meses.

O principal progresso assinalado nesta conferência foi a adopção de um chamado Fundo Verde, que poderá permitir aos países em desenvolvimento serem recompensados pelas transformações a que vão ser forçados para travar as emissões poluentes. Esse fundo será de 100 mil milhões de dólares por ano a partir de 2020 e deverá ser assegurado pelos países desenvolvidos. A responsabilidade da gestão deste fundo foi atribuída ao Banco Mundial, uma situação anunciada como transitória.

Em relação ao Protocolo de Quioto, que terminará a sua vigência em 2012 sem que exista um acordo para o prorrogar ou substituir, a discussão sobre o assunto foi mais uma vez adiada. Não houve qualquer progresso, uma vez que os Estados Unidos, que não ratificaram o documento, consideram que não são parte envolvida no processo. Países como a Índia, a China, o Canadá, a Austrália, consideram que qualquer solução que venha a ser encontrada deverá envolver todos os países, principalmente os mais responsáveis pela emissão de gases que provocam efeito de estufa.

Bolívia considera que foi “um passo atrás”

A Bolívia não adoptou o Acordo de Cancún considerando que foi “um passo atrás” e que se abriu “um precedente funesto” ao interpretar-se como “consensual” uma adopção que não o foi de facto.

A eurodeputada Bairbre de Brún comentou que havia receio de que “mais uma vez a conferência terminasse sem acordo, o que implicaria que o processo iria perder força e credibilidade”.

Os resultados obtidos significam que “agora temos uma base de trabalho pelo que a satisfação se justifica. Contudo, não podemos ser loucos a ponto de pensarmos que estamos de alguma maneira próximos do ponto onde deveríamos estar. Temos muito trabalho a fazer se queremos atingir os necessários níveis de ambição e de pormenor nos próximos meses”.

“Os dirigentes e governos do mundo”, prosseguiu a eurodeputada, “têm agora que assumir o desafio e assegurar que poderemos ter ambições para lá do acordo que termina em 2012. Além disso, os governos também necessitam de tomar medidas de âmbito interno para alterar os padrões que nos levaram até esta confusão enquanto apoiam os países mais vulneráveis a lidar com os crescentes prejuízos decorrentes das alterações climáticas”.

Bairbre de Brún explicou que em termos de União Europeia “isso significa atingir 30 por cento de redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2020. Necessitamos de atingir esse objectivo não só para ajudar a contribuir para um acordo global mas também para nosso bem, de modo a manter-nos competitivos”.

Texto do site do Bloco de Esqerda no Parlamento Europeu

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