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Cancun: "Não há condições para uma solução conjunta"

"Ainda não se conseguiu fechar qualquer dossier" e continua "o braço de ferro entre países desenvolvidos e em desenvolvimento", relata Marisa Matias.
Manifestação pela Justiça Climática - Foto de Marisa Matias

Marisa Matias integra a Delegação do Parlamento Europeu à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2010, que decorre em Cancun, México.

A eurodeputada do Bloco de Esquerda acompanha a conferência das partes e faz o ponto da situação num momento em que tudo está ainda em aberto. "Ainda não se conseguiu fechar qualquer dossier, seja o da mitigação, do financiamento ou, o mais complexo, das medidas de adaptação" e continua "o braço de ferro entre países desenvolvidos e em desenvolvimento", relata.

Comparativamente com Copenhaga, esta Cimeira tem um modo de funcionamento mais transparente e com mais informação a circular, mas não se está a conseguir nenhum tipo de resultado concreto em nenhum dos dias, avalia a eurodeputada. Por exemplo, Japão Canadá e Rússia não querem avançar para um segundo protocolo de Quioto. Bolívia e Arábia Saudita não aceitam os mecanismos de mercado que estão a ser propostos.

No que respeita ao financiamento, a União Europeia e os países em desenvolvimento querem manter o fundo na esfera da ONU ao passo que os Estados Unidos o querem um fundo à parte, desconfia-se que gerido pelo Banco Mundial. "Os países em desenvolvimento e a UE rejeitam a ideia de um fundo à parte porque não querem dar mais fundos aos bancos numa altura como esta" e os países em desenvolvimento consideram que "a transferência para o Banco Mundial poderia significar a manutenção dos instrumentos de mercado que tanto criticam".

Neste momento, como estão as coisas, parece que todos "já só querem defender o mínimo", ou seja evitar a morte do protocolo de Quioto I e tentar prolonga-lo por dois anos. Nesta fase, parece que o resultado mais positivo que se pode esperar desta Cimeira seja esse e o de "não deixar morrer as cimeiras pelas alterações climáticas. "É claramente insuficiente", defende. Marisa Matias lamenta que "não haja muita esperança que se saia de Cancun nem com acordo global nem sequer com acordos parciais que dêem garantias que há combate comum às alterações climáticas".

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