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Operária expulsa pelo patrão a soco e pontapé

Uma trabalhadora da empresa têxtil Mirra & Filhos, Lda, de Guimarães, apresentou esta semana queixa na GNR contra um dos patrões. A violência e os insultos foram a resposta patronal a uma visita inspectiva da ACT pedida pelo sindicato.
A hostilidade violenta do patrão, conta a trabalhadora, deve-se ao facto de ter entrado em conflito com a entidade patronal: “Cansei-me de trabalhar 24 horas sobre 24 como eles queriam e fui posta de lado”.

Parece mentira, mas em pleno século XXI, uma trabalhadora sofreu represálias brutais após pedir a intervenção do seu sindicato e por fazer valer os seus direitos mínimos, como exigir aos patrões o cumprimento das leis laborais.

Engrácia Teixeira, de 39 anos, contou à Lusa que, quando se apresentou ao trabalho na fábrica, às 8h30 da segunda-feira passada, foi agredida pelo patrão, que a insultou, lhe rasgou um blusão e a colocou fora das instalações. A trabalhadora foi observada no Hospital de Guimarães, devendo, de seguida, apresentar-se pessoalmente na ACT.

A operária, que trabalha há 20 anos na empresa, diz que esteve de férias durante 15 dias, por indicação da firma têxtil, e garante que se vai apresentar de novo, na terça-feira, ao trabalho.

A hostilidade violenta do patrão, conta, deve-se ao facto de Engrácia Teixeira ter entrado em conflito com a entidade patronal por ter sido desclassificada (era encarregada) e posta a fazer trabalhos de menor importância: “Cansei-me de trabalhar 24 horas sobre 24 como eles queriam e fui posta de lado”.

A operária relatou que pediu a interferência da União dos Sindicatos de Braga (USB), que solicitou a intervenção da ACT - Autoridade para as Condições de Trabalho: “Como os inspectores foram à fábrica e verificaram irregularidades, a hostilidade para comigo aumentou”.

Engrácia Teixeira salienta corajosamente que não aceita que a queiram despedir sem justa causa e sem nada lhe pagarem, já que foram transferidos todos os trabalhadores da “Mirra” para a empresa “T2FS - Malhas e Confecções, Lda”, sem que o seu nome tenha sido incluído.

Para além da violência, o despedimento ilegal

Em comunicado, a USB acrescenta que já apresentou queixa da empresa, sedeada em Vermil, à Segurança Social de Braga, à ACT do Ave e ao Ministério Público do Tribunal do Trabalho local.

Os sindicalistas explicam que, na semana passada, a empresa entregou a alguns dos seus trabalhadores, um documento de desvinculação da anterior empresa (Mirra & Filhos, Lda.) e integração na empresa T2FS - Malhas e Confecções, Lda., deixando de fora a referida trabalhadora e uma outra, refere a TVI24 no seu site on-line.

“Para além da trabalhadora estar impedida de exercer a sua actividade profissional, presume-se que a firma pretende criar as condições para, ilegalmente, a despedir por insolvência (programada e calculada) da anterior empresa”, acrescenta a USB.
 

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