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Portugal tem a maior queda de salários da UE

Segundo as previsões da Comissão Europeia, os salários reais em Portugal vão cair 3,5% em 2011. Sócrates vai defender hoje no conselho de concertação social que seja rasgado o acordo assinado entre o Governo e os parceiros sociais em 2006 e que o salário mínimo não suba para 500 euros em 2011.
Portugal terá a maior queda de salários da UE em 2011

A Comissão Europeia (CE) prevê que os salários reais em Portugal caiam 3,5% em 2011 e que até os salários nominais diminuam 1,3%, algo que nunca aconteceu. Esta será a maior queda de toda a União Europeia (UE), superior à da Grécia onde a UE prevê uma queda de 2,3%, tal como superior aos cortes previstos para Espanha (0,8%) e para Itália (0,3%). Para a Irlanda a CE prevê que os salários subam 0,1%, para a França 0,2% e para a Alemanha 0,9%.

Esta brutal queda dos salários em Portugal soma-se aos baixos salários largamente maioritários no país e à sua estagnação durante anos.

O próprio Banco de Portugal, no boletim do Verão de 2010, confirmou essa estagnação e revelou que os custos do trabalho em Portugal não subiram nos últimos anos como as estatísticas do INE têm apontado. Segundo o banco central, os gastos do Estado com a Caixa Geral de Aposentações foram consideradas pelo INE como custos com o trabalho, quando tal não devia ter acontecido. O INE acabou por corrigir os dados posteriores a 2007, mas não os dos anos anteriores.

Apesar da continuada estagnação dos salários e da baixa prevista pela CE para 2011, o Governo irá hoje rasgar o acordo assinado em 2006 com os parceiros sociais que apontava para que o salário mínimo em 2011 fosse de 500 euros.

Sócrates vai mais uma vez justificar a falta ao compromisso com a “alteração da situação”, tendo afirmado, nesta quarta feira, em relação à reunião da concertação social: "vamos rediscutir com os parceiros sociais aquilo que era um acordo que tinha, naturalmente, um quadro que se alterou"

O acordo de 2006 estabelece a passagem do salário mínimo de 475 para 500 euros no início de 2011. A confederação dos patrões da indústria(CIP) já aproveitou a posição governamental para anunciar que só aceitará um aumento até oito euros, claramente abaixo da taxa de inflação prevista.

Por seu lado, Carvalho da Silva declarou na passada terça feira que a CGTP não aceitará qualquer decisão que adie ou rasgue o acordo assinado em 2006 – a subida do salário mínimo para 500 euros em 2011.

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