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Cientistas do clima advertem: mil milhões de pessoas perderão as casas

Se não for encetada em breve uma acção drástica para cortar as emissões, mil milhões de pessoas perderão as suas casas e três mil milhões perderão acesso a água potável. Por Robin McKie Guardian
Foto de Takver, FlickR

Cientistas avisam que mudanças devastadoras nos níveis do mar, nas chuvas, no fornecimento de água, nos sistemas atmosféricos e nos rendimentos das colheita são cada vez mais prováveis antes do fim do século.

Um relatório especial, difundido no início das negociações do clima em Cancún, México, revela que até mil milhões de pessoas encaram a perda das suas casas nos próximos 90 anos por causa do fracasso em aceitar descidas nas emissões de carbono.

Até três mil milhões de pessoas podem perder o acesso a fornecimento de água potável porque não se consegue impedir as temperaturas globais de aumentarem 4 graus.

“A mensagem principal é que, quanto mais perto estamos duma subida de quatro graus, mais difícil será lidar com as consequências,” disse o Dr. Mark New, um perito em clima da Universidade de Oxford que organizou uma conferência recente intitulada “Quatro graus e mais além” em nome do Centro Tyndall de Investigação para as Alterações Climáticas. As comunicações da reunião serão publicadas para coincidir com o início das conversações do clima de Cancún.

Uma característica-chave dessas comunicações é que assumem que mesmo que as descidas nas emissão de carbono globais venham a ser aceites no futuro, seriam insuficientes para limitar as subidas de temperatura globais neste século a 2 graus – a subida de temperatura máxima acordada pelos políticos como aceitável. “Para ter uma oportunidade realista de o fazer, o mundo teria de conseguir que as emissões de carbono atingissem o máximo dentro de 15 anos e logo acompanhar isto duma descarbonização maciça da sociedade,” disse o Dr. Chris Huntingford, do Centro de Ecologia e Hidrologia de Oxfordshire.

Poucos peritos acreditam que esta seja uma proposta minimamente prática, em particular após o fracasso das conversações do clima de Copenhaga em Dezembro passado – um ponto realçado por Bob Watson, antigo dirigente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas e agora cientista principal no Departamento de Ambiente, Assuntos Alimentares e Rurais. Tal como disse: “dois graus são agora um sonho que exprime um desejo.”

Investigadores como Richard Betts, dirigente dos impactos de clima no Gabinete de Meteorologia, calculam que uma subida de 4 graus pode ocorrer em menos de 50 anos, com o derreter dos lençóis de gelo e os níveis do mar a subir.

Segundo François Gemenne, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais de Paris, isto pode levar à criação de “estados fantasma” cujos governos no exílio exerceriam poder sobre cidadãos e cidadãs dispersos e terra perdida para os mares em subida.

Os estados de pequenos ilhas como Tuvalu e as Maldivas estão já ameaçados pela inundação. “O que aconteceria se um estado desaparecesse fisicamente mas as pessoas quisessem manter as suas nacionalidades?” perguntou. “Poderia continuar como um estado virtual embora seja uma rocha sob o oceano”.

Peter Stott do Gabinete de Meteorologia disse que o efeito mais duro de todas essas mudanças envolverá provavelmente mudanças na capacidade do planeta em absorver o dióxido de carbono. Actualmente, cerca de 50 % das emissões de carbono resultantes de acção humana são absorvidos pelo mar e por plantas em terra.

“Contudo, a quantidade de dióxido de carbono que pode ser absorvido diminui à medida que sobem as temperaturas. Chegaremos a um ponto crítico a partir do qual as temperaturas irão subir ainda mais rápido. O mundo começará então a parecer muito diferente.”

28 de Novembro de 2010

Tradução de Paula Sequeiros para o Esquerda.net

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