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Não deixes para amanhã

O primeiro combate da Greve Geral é contra a resignação e o desespero, contra as tentativas sistemáticas de virar trabalhadores contra trabalhadores.

Se eu fosse trabalhar para uma fábrica, a primeira coisa que faria seria aderir a um sindicato.” Franklin Roosevelt

O Trabalho está no centro deste Orçamento. Embora o Governo se recuse a falar do Desemprego (que já é mais elevado agora do que o Governo prevê para 2011), tudo o que está disposto no orçamento tem como alvo último e fundamental o trabalho. Os rendimentos do trabalho, a tributação, os direitos, os apoios sociais, as pensões, os serviços públicos, o corte no investimento público, a política económica, toda a política recessiva e anti-social têm um objectivo comum: comprimir os salários e os direitos de quem trabalha e disciplinar a sua força social através do medo e da marginalização.

É por isso que o corte salarial é definitivo e não provisório. Não tem nada a ver com o ajustamento orçamental. É por isso que o Ministro repete insistentemente, como quem apela, que os cortes da função pública não deixarão de ter impacto no sector privado. O corte nos salários não é uma medida forçada e imposta pelos constrangimentos orçamentais. É uma estratégia. É por isso que o Ministro diz, faltando escandalosamente à verdade, que os salários têm evoluído acima da produtividade. Apesar de todo o discurso sobre modernização, qualificação e choques tecnológicos, o modelo de competitividade deste Governo é o dos salários baixos e do trabalho precário.

O trabalho também está no centro da resposta. A Greve Geral é a luta da solidariedade contra a intimidação, por uma política que coloque o trabalho, a sua defesa, a sua valorização, no centro de uma estratégia para o país. Porque é impensável uma saída para a crise sem a defesa do emprego, os trabalhadores que fazem hoje Greve, defendem-se a si próprios mas não só. São eles que defenderão a economia, o crescimento, o ajustamento orçamental, o estado social e tudo aquilo que o Governo invoca para lançar o país num ciclo interminável de recessão e desemprego.

É por isso que o primeiro combate da Greve Geral é contra a resignação e o desespero, contra as tentativas sistemáticas de virar trabalhadores contra trabalhadores, trabalhadores contra desempregados, desempregados contra pobres. É o combate por uma política verdadeiramente solidária contra a corrida dos egoísmos.

Esse combate é extraordinariamente difícil, mas não é uma luta simbólica. A Greve é a demonstração de força de uma alternativa. São os trabalhadores, e não os grandes líderes da economia, que fazem andar o país. E para lembrá-lo às nossas elites políticas, hoje vão pará-lo. Essa força social, essa força política, é a única base plausível para a esperança. É essa força que se vai manifestar hoje. Sem falta.

Sobre o/a autor(a)

Eurodeputado e economista.
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