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BPN: PS esvazia conclusões do inquérito

A comissão de inquérito terá assim 24 horas para ler, analisar, discutir, alterar e votar as conclusões. O PS pretende impor conclusões minimalistas mas com a máxima discrição. O PS sabe que há na opinião pública grande expectativa - e também exigência, quanto aos resultados práticos do trabalho da comissão de inquérito ao BPN. O PS soprou um balão (para desgastar o PSD) que agora quer esvaziar (porque há evidências que não servem ao PS), se possível sem os portugueses saberem e perceberem.
A parte expositiva do relatório, cerca de 200 páginas, é insuficiente - não regista factos apurados e de grande importância para o conhecimento e a compreensão do que se passou e de quem disso tirou elevados proveitos. Por exemplo, o sistema de compra e venda de acções com chorudas mais-valias garantidas e acordadas com José Oliveira e Costa. E é unilateral - porque simpático, compreensivo, tolerante e desculpabilizante para o governo e para o Banco de Portugal.

Esta parte do relatório - a que já se conhece, indicia as conclusões que o PS quer retirar sobre o caso BPN, no que ele tem de mais relevante: o PS não pretende questionar a actuação do Banco de Portugal nem tão pouco permitir qualquer interrogação sobre a nacionalização ou sobre o elevadíssimo custo que os portugueses estão a pagar por ela, enquanto os accionistas se libertam e dispensam de assumir qualquer responsabilidade pelas consequências das fraudes que praticaram.

Não são precisos grandes dotes de adivinho para antever que será esta a opção do PS. Um, a supervisão do Banco de Portugal não podia ter feito nem mais nem melhor, ao estilo Deus no Céu e Constâncio na Terra. Dois, a crise dos mercados financeiros obrigou o governo a nacionalizar e não havia alternativas.

Nem uma coisa nem outra são verdade. Como, aliás, ficou claramente demonstrado ao longo dos trabalhos da comissão de inquérito ao BPN.

João Semedo

(...)

Resto dossier

Caso BPN

Terminou a comissão de inquérito ao caso BPN, mas muitas questões ficaram sem resposta e a investigação judicial ainda continua. Neste dossier, Esquerda.net junta algumas das peças do puzzle. Dossier coordenado por Carla Luís e Luis Leiria.

Semedo: Estado só nacionalizou os prejuízos do BPN

Uma das muitas coisas que ficaram por responder, no caso BPN, é porque o Estado nacionalizou apenas o BPN, deixando de fora os accionistas da SLN, que possui muitos activos, alguns deles de muito valor. "No fundo, isto significou que o Estado nacionalizou o prejuízo, e deixou algumas riquezas do outro lado", diz o deputado João Semedo, do Bloco de Esquerda, ao Esquerda.net.
Entrevista de Luis Leiria

 

Bancos: nova supervisão, novo supervisor

Constâncio não vê falhas na supervisão. Teixeira dos Santos não vê falhas em Constâncio. Conclusão: Vítor Constâncio não se demite do Banco de Portugal.
Bastam duas linhas para resumir o que se passou na comissão de inquérito ao BPN, ao longo das duas últimas semanas, marcadas pelas audições dos dois principais responsáveis pelo funcionamento do sector financeiro.
Artigo de João Semedo

Insólitos do Banco de Portugal no caso BPN

O "caso BPN" e a Comissão de Inquérito ficaram marcados por questões que ficaram sempre por resolver.
De início, simples perguntas foram sendo confrontadas com depoimentos ou documentos contraditórios. Muitas delas foram tendo respostas cabais durante a Comissão - veja-se, por exemplo, as versões contraditórias de Dias Loureiro e António Marta sobre a reunião no Banco de Portugal.

Frases que marcaram

De tudo o que foi dito na comissão de inquérito ao caso BPN, aqui fica uma curta selecção de frases que marcaram os trabalhos.

BPN – o que fica depois da Comissão de Inquérito?

189 horas e 33 minutos de reuniões, muitas horas mais de preparação das mesmas, pilhas e pilhas de papel a ler, outras tantas a produzir. Este é um dos balanços possíveis da Comissão de Inquérito mais mediática e mais exigente de sempre.
No Relatório, o "oficial", o tom é mais suave. Não se consegue evitar a crítica, nem sequer ao Banco de Portugal (BdP), mas o estilo é morno e nem quanto aos negócios fraudulentos consegue ser incisivo.
Artigo de Carla Luís "Cada português pode fazer o seu próprio relatório", disse Maria de Belém, no balanço final da Comissão. Mas e o que fica para além disso? Finda a comissão, o que resta dela? 

Cronologia do caso BPN

O Banco Português de Negócios foi criado em 1993. Em Outubro de 2008, são publicamente conhecidas as dificuldades de liquidez em que o banco se encontra. A 2 de Novembro de 2008, o Governo de José Sócrates decide nacionalizar o BPN. Leia aqui a cronologia do caso BPN por datas:

BPN: PS esvazia conclusões do inquérito

Estamos a menos de 24h de conhecer as conclusões que o PS vai apresentar à comissão de inquérito ao caso BPN e com as quais se encerrará um dossier político que se prolonga há mais de seis meses no parlamento. O PS encontrou um estratagema para adiar até ao último momento a divulgação destas conclusões: artificialmente, "criou" dois relatórios, o expositivo e o conclusivo, o primeiro supostamente composto pelos factos e, o segundo, com as conclusões, sendo evidente que estas constituem a parte de leão do relatório.
Artigo de João Semedo

Vídeos do esquerda.net sobre o caso BPN

Francisco Louçã, a 5 de Novembro de 2008, lembrou a história do BPN e dos seus administradores, uma galeria de notáveis dos governos do PSD.

Declaração de voto do Bloco de Esquerda

Texto da declaração de voto do Bloco de Esquerda que explica porque votou contra o relatório final da comissão de inquérito ao caso BPN 

A ruinosa operação de Porto Rico

Oliveira Costa disse na Comissão de Inquérito, sobre a compra das empresas de Porto Rico, que "se não fosse o raio da Biometrics hoje não estaríamos aqui. Foi um negócio ruinoso". Aqui se resume o que foi essa operação.