Michel Husson

Michel Husson

Economista francês. Investigador no IRES (Instituto de Investigações Económicas e Sociais)

A única medida que é preciso tomar unilateralmente é financiar o défice de outra forma que não seja pela emissão nos mercados financeiros. Junto com isso, a socialização dos bancos e a anulação da dívida ilegítima.

A escolha parece pois ser entre uma perigosa aventura e uma harmonização utópica. A questão política central é sair deste dilema.

Segundo o autor do texto, para uma estratégia europeia de esquerda é preciso reflectir na articulação entre ruptura com a Europa neoliberal e projecto de refundação europeia.

A crise de hoje deve ser compreendida como a crise das soluções aplicadas à que a antecedeu. Para simplificar, elas assentavam em dois elementos: a compressão salarial e o financiamento.

As empresas são cada vez menos tributadas. A taxa média de imposto sobre as empresas (em Portugal - IRC), calculada para 80 países, passou de 38% para 25% entre 1995 e 2010. A baixa do IRC é semelhante à queda do peso dos salários no rendimento nacional.

Quem se esconde por detrás dos chamados “mercados financeiros”? É interessante saber isso no momento em que eles exercem uma terrível pressão sobre os governos europeus através das condições de financiamento da dívida pública.

Uma tal regressão social, de uma violência inédita, desencadeia um processo de destruição das sociedades e conduz ao desmembramento da União Europeia.

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A ideia de construção de uma outra Europa é varrida prontamente, como se fosse um objectivo impossível de alcançar, enquanto que a saída do euro seria uma medida simples e compreensivel para a grande maioria. 

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Aumenta a probabilidade de uma nova re-recessão. Neste contexto, os governos europeus teimam em levar avante políticas aterradoras, mantendo-se numa profunda cegueira.