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Incêndios poderão ter levado a um milhão de toneladas de emissões

Segundo a Quercus, os incêndios florestais poderão ter provocado emissões de dióxido de carbono, num valor semelhante ao de 29 milhões de automóveis a fazerem o percurso da autoestrada Lisboa-Porto.
520 mil toneladas a 1,1 milhões de toneladas, devido aos incêndios florestais - Foto mariag/Flickr

Francisco Ferreira, vice-presidente da Quercus, disse à agência Lusa, que “de acordo com as contas até 15 de Agosto, podemos estimar entre 520 mil toneladas e 1,1 milhões de toneladas” as emissões de gases de efeito de estufa, devido aos incêndios florestais.

Francisco Ferreira diz que existe um problema com o cálculo das emissões. Segundo a metodologia de cálculo da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), apenas com base na área ardida e com factores de emissão usados pela APA na obtenção dos dados submetidos às Nações Unidas relativa a 2008, as emissões serão de 520 mil toneladas, o que considera ser "um valor claramente por baixo, que não é real".

Segundo disse o vice-presidente da Quercus, “numa outra metodologia seguida por investigadores portugueses, vamos para 1,1 milhões de toneladas, porque contabilizamos matos, que muitas vezes têm floresta em crescimento e povoamentos florestais”.

Francisco Ferreira alerta também que os incêndis florestais prejudicarão o cumprimento do protocolo de Quioto por Portugal, uma vez que os incêndios florestais aumentam as emissões de dióxido de carbono e reduzem a área de floresta, sumidouro dos gases com efeito de estufa.

“Se tenho uma área que era de floresta em 1990 e que este ano ardeu e passou a ser área sem floresta, a capacidade que tinha em 1990 de retirar carbono deixa de ter agora e isso prejudica os objectivos que Portugal tem de cumprir em termos de Quioto”, pois “deixa de ter essa zona como sumidouro para retirar carbono da atmosfera”, explicou o vice-presidente da associação ambientalista, à agência Lusa.

Nuno Lacasta, coordenador da Comissão interministerial para as Alterações Climáticas e Gestor do Fundo Português de Carbono, expressou à Lusa a opinião contrária, que as emissões de dióxido de carbono não colocam em causa o protocolo de Quioto, assegurando que Portugal “está em linha com um cenário médio” e que, em termos do protocolo de Quioto, o que conta “são as emissões da área florestal ardida, com exclusão do mato”.

“As emissões que estão em causa já estão previstas nos cenários de cumprimento de Quioto que o comité executivo da Comissão para as Alterações Climáticas vem fazendo e cuja mais recente actualização é de Junho”, disse.

Francisco Ferreira da Quercus, pelo seu lado, considera que Portugal “fez uma aposta clara em utilizar este sector para o cumprimento do protocolo de Quioto, pelo que no médio/longo prazo (...) é necessário um melhor conhecimento científico das emissões associadas” e defende também que é necessária “uma maior capacidade de recolha exaustiva de dados e uma aposta numa melhor gestão florestal e em povoamentos de floresta autóctone”.

Para o total de 2009, a área ardida em Portugal foi de 86 778 hectares e em 2010, até 15 de Agosto, foi de 78 600 hectares, segundo os números disponíveis.

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