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ONU vai ilibar a Shell pela poluição no delta do Niger

Ao longo de 40 anos, foram despejados no delta do Niger o equivalente a 9 milhões de barris de petróleo. Uma investigação das Nações Unidas diz que a Shell só é responsável por um décimo dos derrames, e que o resto são sabotagens e roubos. A comunidade local e as ONG estão chocadas com o estudo, pago pela companhia petrolífera e baseado nos seus dados.
Activistas acusam a ONU de se ter baseado nos números da Shell, que também financiou o estudo. Foto Jenn Farr/Flickr

O jornal inglês Guardian revela que esta investigação da ONU, que demorou três anos e terá custado mais de 7 milhões de euros, concluiu que a maior parte da responsabilidade pertence aos habitantes locais ou a gangues que sabotaram os oleodutos com o objectivo de roubar petróleo. A negligência da Shell será responsável por apenas 10% dos derrames, segundo este mesmo estudo.

Mas os grupos ambientalistas e dos indígenas ogonis - que habitam aquela região e têm sido desde sempre opositores da acção da megapetrolífera protegida pelo governo -  acusam o estudo de ter sido financiado pela Shell com base nos dados fornecidos pela própria empresa e pelo governo, dois actores importantes no que respeita à trágica situação ambiental daquela zona.

A esperança de vida na região recuou nas últimas décadas para abaixo dos 40 anos e é dali que mais de 8% do crude importado pelos Estados Unidos. Os responsáveis do estudo tentam defender-se como podem, mas admitem a origem dos dados que usaram no seu trabalho. "Deram-nos a lista oficial dos derrames. Foi-nos fornecida pelas próprias companhias petrolíferas mas é confirmada pelos organismos governamentais. Nós não estamos do lado das companhias", afirmou Mike Cowing, o responsável pelo estudo, ao Guardian.

Já Ben Amunwa, representante da ONG Platform, que vigia as actividades da indústria petrolifera, diz que o estudo das Nações Unidas "baseia-se em números falsos da Shell e estatísticas governamentais incompletas. Muitos Ogonis suspeitam que o destaque dado no relatório às sabotagens e roubo de petróleo será usado como pretexo para justificar a repressão militar no delta do Niger, onde activistas não violentos, como Ken Saro Wiwa, foram executados".

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