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Golfo do México: BP só compensa quem não for a tribunal

O governo norte-americano disse que 74% do petróleo tinha desaparecido. Mas os estudos de biólogos contrariam esses números, ao calcular que mais de 70% permanece no fundo do mar. Foto skytruth/Flickr

O fundo está avaliado em cerca de 15,7 mil milhões de euros e será gerido por Kenneth Feinberg, o homem que já teve a cargo os pagamentos de compensações às vítimas e familiares dos mortos do atentado de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque. Mas ao contrário deste, que foi financiado com dinheiros públicos, agora será a BP a avançar com a verba, por pressão de Barack Obama numa reunião com o líder da empresa em meados de junho.

Os beneficiários irão ser compensados de acordo com a sua proximidade geográfica do derrame, mas só de assinarem um documento a abdicar de accionar judicialmente a BP ou outra das três empresas apontadas como responsáveis: a Transocean, proprietária da plataforma Deepwater Horizon; a Halliburton, que construiu o poço; e a Cameron International, fornecedora do equipamento que supostamente iria tapar a fuga após a explosão mas que não teve sucesso.

Entretanto, a Transocean acusou a BP de ocultar informações importantes sobre a explosão da plataforma. "Parece que a BP está a ocultar provas numa tentativa de evitar que qualquer outra entidade possa investigar a causa do acidente e o posterior derrame", diz uma carta escrita pelo advogado da Transocean, Steven Roberts, uma acusação entretanto rebatida pela BP.

Outro ponto da polémica do derrame é o destino dos 800 milhões de litros derramados entre Abril e Julho no Golfo do México. O governo veio dizer que 74% do derrame já tinha sido recolhido, evaporado ou incendiado. Mas um estudo dos biólogos da Woods Hole Oceanographic Institution encontrou a 1100 metros de profundidade uma mancha de petróleo de 25 kms de comprimeiro, 1,9 kms de largura e quase 200 metros de espessura. Também os investigadores da Universidade da Georgia contestam os números do governo.

"Voltámos a analisar o relatório do governo federal e calculamos a quantidade de petróleo que provavelmente ainda está no oceano. O resultado é que entre 70% e 79% ainda deve estar lá", disse esta semana à Agência France Presse Charles Hopkinson, um dos autores do estudo. "Um dos principais erros é pensar que o petróleo que se dissolveu na água desapareceu e é inofensivo", advertiu o oceanógrafo. "Este petróleo permanece no oceano, sob a superfície, e serão necessários anos para que se degrade totalmente".
 

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