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Incêndios em Portugal já custaram 210 milhões €

As contas foram avançadas pelo Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais, que revela ainda que 70% da área ardida na União Europeia este ano é portuguesa. O número de fogos em 2010 já equivale à soma dos três anos anteriores.
Segundo a ANPC, desde 15 de Maio registaram-se 13.145 fogos e desde 23 de Julho 8.791. Foto do incêndio em S. Pedro do Sul, de Nuno André Ferreira/LUSA

Segundo o jornal I, desde o início do Verão já arderam 127 mil hectares na União Europeia, área que não chega a duas vezes a dimensão do Parque Nacional da Peneda-Gerês, para dar um exemplo de um dos locais mais afectados este ano em Portugal e onde o fogo lavra há mais de uma semana. Os números tornam-se negros quando se percebe que 70% destes 127 mil hectares afectados pelas chamas localizam-se em Portugal, como avançou ao I Jesús San-Miguel-Ayanz, do Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais (EFFIS).

"A percentagem, comparando com outras áreas mapeadas na União Europeia, é muito elevada", disse o porta-voz deste organismo europeu, que produz anualmente relatórios sobre o impacto dos incêndios florestais em parceria com as autoridades nacionais.

Segundo os números avançados pelo EFFIS, e ainda sem contabilizar os incêndios deste fim-de-semana, os hectares ardidos em Portugal rondarão já os 100 mil, ainda que só tenham sido mapeados 70 mil. Este domingo à tarde, o site da Associação Nacional de Protecção Civil (ANPC) dava conta de 687 fogos activos entre sábado e domingo.

Os 70 mil hectares ardidos representam perdas de 210 milhões de euros, só em prejuízos, garantiu Jesús San-Miguel-Ayanz, através de uma contabilidade "conservadora". Segundo o EFFIS, que está a trabalhar num novo modelo para avaliar o impacto socioeconómico dos incêndios, "as contas actualmente são feitas a 3000 euros o hectare ardido". Desta forma, e se se tiver em conta os 100 mil hectares estimados pelo monitor europeu, a factura portuguesa já vai nos 300 milhões de euros. De qualquer forma, são valores muito superiores aos apresentados pela ANPC ao Presidente da República e ao primeiro-ministro no briefing operacional de sexta-feira passada. Segundo a Protecção Civil são 45 mil os hectares ardidos entre 1 de Janeiro e 11 de Agosto. 

Uma diferença abissal justificada pelas técnicas de contagem do monitor europeu e pelo facto de as autoridades portuguesas só irem fazer uma nova actualização dos números esta terça-feira. Além disto, os números da EFFIS incluem também zonas agrícolas, excluídas das contas da Autoridade Florestal Nacional (AFN). 

Feitas estas contas, em 2010 Portugal vai falhar o tecto de 100 mil hectares ardidos por ano, previsto no plano de defesa da floresta. No ano passado arderam 87 mil, cinco vezes mais do que em 2008, número que ainda assim mostra grandes melhorias em relação à década de 90, em que a média anual superava os 148 mil hectares. Este ano, com o final de Agosto e o mês de Setembro pela frente, os indicadores deverão piorar.

Número de fogos em 2010 já equivale à soma dos três anos anteriores

A ANPC registou desde o início do ano 14 601 ocorrências de incêndios florestais, valor aproximado à soma dos últimos três anos, das quais mais de metade desde 23 de Julho.
Em conferência de imprensa na sede da ANPC, o comandante operacional nacional, Gil Martins, revelou ainda que desde 15 de Maio registaram-se 13 145 ocorrências e desde 23 de Julho 8791.

"Há um pico a partir de 23 de Julho que nunca mais parou. Estamos com uma média de incêndios florestais de cerca de 400 novas ocorrências por dia. O valor acumulado de ocorrências de 2010 é já muito aproximado à soma de 2007, 2008 e 2009", disse Gil Martins, citado pela Lusa. 

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