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Quem são os golpistas?


"Foi planeado por um grupo empresarial liderado por Carlos Roberto Facussé, ex-presidente das Honduras (1998-2002) e dono do jornal "La Tribuna", que juntamenta com "La Prensa", "El Heraldo", e os canais de TV 2, 3, 5 e 9 foram o pilar fundamental do golpe". O resto das famílias que apoiram o golpe e que controlam 90% da riqueza do país são: José Rafael Ferrari, Juan Canahuati, o financeiro Camilo Atala, o madeireiro José Lamas, o empresário energético Fredy Násser, Jacobo Kattán, o industrial do açúcar Guillermo Lippman e o construtor Rafael Flores."

Uma personagem fundamental nesta conspiração é também o magnata Miguel Facussé, condecorado em 2004 pelo Senado Colombiano com a Ordem do Mérito e da Democracia, que hoje monopoliza o negócio do óleo alimentar e que em 1992 apoiou a compra de terras aos camponeses por menos de 10% do seu valor real.

Segundo o jornal "El libertador", os golpistas reactivaram uma variante do aparelho que na década de 80 foi utilizado pela Aliança para o Progresso nas Honduras (APROH), que através de um disfarce empresarial, fazia "guerra de baixa intensidade a quem se opunha à repressão contra o governo sandinista". Hoje, tal como nessa altura, os golpistas utilizam "códigos de manipulação das massas", por exemplo: é legal sequestrar o Presidente porque é amigo de Cahvez, e Micheletti é bom porque odeia Fidel Castro, Daniel Ortega e Chavez

O jornal "El Libertador" compilou uma galeria dos golpistas bem como a lista de todas as empresas que de alguma forma são coniventes com o golpe, apelando aos consumidores hondurenhos e de todo o mundo para que não comprem os seus produtos.

Este jornal descobriu também a forma como estes empresários estão a influenciar o Senado dos EUA, consultando o "Lobbying and Disclosure Act", um registo desde 1995 de todas as acções de lobistas que estão reguladas por lei e que devem ser declaradas à Câmara de Representantes e ao Senado, com o objectivo de tornar mais transparente a sua acção, divulgando quem os contratou e quanto dinheiro receberam para fazer o seu trabalho.

A contratação dos lobistas foi feita através das empresas "Diario La Prensa", pelo Banco Ficohsa e pela Associação hondurenha de Maquiladores. São os principais financiadores de uma campanha junto do poder dos EUA para "consolidar a transição democrática nas Honduras", "informar sobre os factos relacionados com a deposição de Zelaya" e tratar temas como "as relações entre os EUA e as Honduras". Junto destes lobistas aparece também o Conselho Empresarial da América Latina.

As firmas contratadas em Washington pelos empresários golpistas hondurenhos são a Orrick, Herrington & Sutcliffe LLP, Vision Americas e a Cormac Group, a quem os empresários hondurenhos pagaram 28 mil dólares para que façam o seu trabalho de pressão junto do Departamento de Estado, do Conselho de Segurança Nacional, da Câmara dos Representantes e do Senado dos EUA. Por seu turno, estas firmas americanas designaram como lobistas Lanny Davis e Adam Goldberg, ambos conselheiros do ex presidente Bill Clinton, segundo os registos da Câmara Alta dos EUA. Vê aqui as provas.

Outra das figuras determinantes para consumar o golpe de Estado é o chefe do Estado Maior das Forças Armadas hondurenhas, Vásquez Velásquez, o homem que expulsou do país Manuel Zelaya. Vásques Velásquez chegou a ser preso em 1993 como cabecilha de um gang internacional de ladrões de carros conhecido por "Bando dos Treze". E hoje é acusado de ter ligações ao narcotráfico e à CIA.

Finalmente, uma última personagem incontornável neste golpe de Estado: o cardeal católico Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga. Sublinha o "El Libertador" que o cardeal recebia do governo um salário de 5 mil e 300 dólares mensais sem desempenhar qualquer função no sector público. Ora, Manuel Zelaya acabou com essa oferta mensal ao Cardeal, o que ajudou a desencadear a ira da igreja católica das Honduras contra o presidente legítimo, e a transformá-la numa das mais acérrimas defensoras do golpe de Estado.

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Neste dossier:

Golpe de Estado nas Honduras

No dia 28 de Junho de 2009, o presidente legítimo das Honduras, Manuel Zelaya, foi expulso do seu país ainda com o pijama no corpo. Todas as forças conservadoras das Honduras - principais políticos, militares, cléricos e grandes empresários - apoiaram o golpe, que serve bem a manutenção do status quo. Mas não contavam com os protestos populares massivos e com a condenação de quase toda a comunidade internacional. 
Para compreender melhor o que são as Honduras e a sua história começamos pelo artigo "Honduras: República das Bananas e das Maquilas". De seguida, num extenso e esclarecedor artigo, Leticia Salomon, especialista hondurenha, explica todos os pormenores do golpe de Estado. Jan Malewski, em artigo publicado na International View Point, cita algumas declarações de Zelaya para enquadrar as motivações dos golpistas. Em "Quem são os golpistas" e "Frente Nacional Contra o Golpe de Estado" pode compreender os dois lados do conflito. Peter Marchetti analisa os movimentos sociais e as possibilidades de emancipação do povo das Honduras.

Por uma Constituinte e o fim das Forças Armadas

Nesta entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos , Peter Marchetti - jesuíta, teólogo e economista dos EUA, que viveu durante algum tempo nas Honduras - fala-nos do sistema político hondurenho, do que representam Zelaya e Micheletti, e da possibilidades de um novo movimento popular que corte com o bipartidarismo e junte forças pela democracia participativa nas Honduras, abolindo as Forças Armadas e o status quo. 

Honduras: os interesses económicos que sustentam o golpe

Quando há  um ano se descobriu que as Honduras são ricas em petróleo, o presidente Zelaya rescindiu com as empresas dos EUA que vendiam o petróleo caro ao seu país e juntou-se ao grupo Petrocaribe, criado pela Venezuela. O projecto de Zelaya para a nova Constituição previa que os recursos naturais das Honduras não poderiam ser entregues a outros países.
Artigo de Frida Modak, publicado por Carta Maior, com tradução de Katarina Peixoto.  

O golpe nas Honduras: obra de políticos, empresários e militares

Todos têm direito de apoiar ou recusar sistemas ideológicos; o que não têm direito é de impedir que um presidente termine o seu mandato constitucional porque não têm por ele a simpatia pessoal que têm com outros presidentes, de impedir que a cidadania seja consultada sobre qualquer tema, diz a socióloga e economista Leticia Salomón, investigadora do Dep. de Ciências Sociais da Universidade Nacional Autónoma das Honduras, num dos mais completos artigos sobre o golpe.

Golpe de Estado

Estará Washington a fazer jogo duplo? Estarão em causa divergências entre a Casa Branca e o binómio formado pelo Departamento de Estado e o Pentágono? Se o direito não for restabelecido e/ou se as Honduras soçobrarem na violência, o crédito de Obama ficará seriamente abalado na América Latina, que acolheu a sua presidência com esperança e simpatia.
Artigo de Maurice Lemoine, traduzido pela Edição portuguesa do Le Monde Diplomatique

Informação que escapa ao cerco mediático

Os principais meios de comunicação social nas Honduras são detidos por golpistas e filtram toda a informação sobre os protestos populares. O termo golpe de Estado é substituído por "reposição da ordem constitucional" e abundam notícias a favor do governo interino de Micheletti e contra "a horla satânica de Chavez". Ainda assim, o Esquerda.net encontrou vários blogues e sites que escapam ao cerco mediático, muito úteis para uma informação mais fiável e completa. 

O golpe de uma oligarquia dominante

"Venho de fileiras bastante conservadoras, pensei que podia fazer mudanças no enquadramento neoliberal. Mas os ricos não dão um cêntimo. Os ricos não dão o seu dinheiro. Ficam com tudo para eles. Assim, logicamente, para fazer mudanças, é preciso integrar o povo", disse Zelaya, numa entrevista ao El País, nas vésperas do golpe.
Por Jan Malewski, International Viewpoint

A direita contra-ataca

A Presidência de George W. Bush foi o momento da maior maré eleitoral dos partidos políticos de centro-esquerda na América Latina nos últimos dois séculos. A Presidência de Barack Obama arrisca-se a ser o momento da desforra da direita na América Latina.

Quem são os golpistas?

Empresários, políticos, donos de órgãos de comunicação social, generais e cardeais. Neste artigo o Esquerda.net junta muita informação sobre quem está por trás do golpe e inclusivamente a forma como exercem pressão junto do senado e do departamento de Estado dos EUA. Toda a informação encontra-se sustentada por cópias de documentos oficiais.  

Letícia Salomon, autora de um extenso artigo explicativo do golpe de Estado que pode ser lido aqui, explicou numa mesa redonda, com todo o detalhe, quem está por trás do golpe de Estado:

Um golpe à medida dos lobistas da Casa Branca

O presidente hondurenho Manuel Zelaya, expulso do país no meio da noite há mais de um mês, goza de apoio global para o seu regresso, com a excepção da Casa Branca de Obama. Apesar de Barack Obama ter num primeiro momento chamado de golpe o afastamento de Zelaya pelos militares, a sua administração recuou. A secretária de Estado Hillary Clinton chamou as tentativas de Zelaya de atravessar a fronteira entre a Nicarágua e as Honduras de "impulsivas". Será que lobistas bem colocados em Washington estão a moldar a política externa dos EUA?

Frente Nacional Contra o Golpe de Estado nas Honduras

O golpe de Estado acabou por juntar organizações que estiveram quase sempre de costas voltadas e que agora se unem para combater o "governo interino", com a designação "Frente Nacional Contra o Golpe de Estado nas Honduras". Além de sindicatos , movimentos sociais, e pequenos partidos de esquerda, esta Frente inclui sectores do Partido Liberal que apoiam Zelaya, e o Partido Unificación Democrática - único partido da esquerda hondurenha com presença no parlamento (cinco lugares). A Frente Nacional tem promovido as principais mobilizações contra o golpe, destacando-se a greve geral e as marchas que levaram milhares de pessoas às duas principais cidades do país.  

Comunicado da Frente Nacional Contra o Golpe de Estado nas Honduras

Todos a organizar o boicote contra a ditadura militar-empresarial de Roberto Micheletti

As lições das Honduras

Conta-se uma reveladora brincadeira entre os presidentes latino-americanos:

- Sabe por que não existem golpes de Estado nos Estados Unidos?
- Não!
- Porque nos Estados Unidos não existe embaixada dos Estados Unidos.
Texto de Theotonio dos Santos

Além do mais, sabemos que os golpes nos Estados Unidos se dão através do assassinato, puro e simples, dos seus presidentes (como no caso de John Kennedy) ou com a ajuda do Supremo Tribunal para impedir a recontagem dos votos (como no caso Bush).

Honduras: República das bananas e das “maquilas”

As reformas que Manuel Zelaya iniciou nas Honduras apontavam para acabar com este tipo de desenvolvimento espúrio, que primeiro foi "bananeiro" e depois "maquilero" mas que sempre se apoiou na existência de amplos contingentes da população em estado de pobreza extrema.
Artigo publicado no blogue Honduras en lucha!  

Arte contra o golpe

As reacção do povo das Honduras ao golpe de Estado não se limitou às manifestações e às greves. Como em qualquer momento de efervescência social e política abundam os desenhos que denunciam os golpistas, os vídeos que ridicularizam os pró-golpistas que vestem camisas brancas, os murais e dizeres nas paredes, e as caricaturas e cartoons. 

Honduras: O golpe e a base aérea dos EUA

Os principais meios de comunicação deixaram de focar um aspecto chave dos actuais acontecimentos nas Honduras: a base aérea dos EUA em Soto Cano, também conhecida por Palmerola. Antes do recente golpe de estado militar, o presidente Manuel Zelaya declarou que iria transformar a base num aeroporto civil, um desígnio a que o anterior embaixador do EUA se opunha. Mais ainda, Zelaya tencionava levar a cabo o seu intento recorrendo a financiamentos venezuelanos.
Por Nikolas Kozloff, Counterpunch

AR condena golpe nas Honduras

A Assembleia da República aprovou por unanimidade um voto proposto pelo Bloco de Esquerda de condenação do golpe de estado nas Honduras e que se associa à exigência da OEA para o regresso imediato do presidente às funções para as quais foi democraticamente eleito. A AR decidiu também apoiar "os esforços para garantir a reposição da legalidade democrática nas Honduras. "