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Governo afegão responsabiliza a NATO pela morte de 50 civis

Os militares dizem que as acusações são "infundadas" e dizem já ter iniciado uma investigação, mas este evento trágico surge pouco depois de se conhecerem milhares de ficheiros norte-americanos que provam que as forças da NATO já mataram centenas de civis no Afeganistão.
Os ficheiros tornados públicos pela wikileaks.org revelam que centenas de civis foram mortos em mais de 140 incidentes, algo que as tropas da NATO têm sempre negado. Foto de militar americano ao serviço da NATO no Afeganistão - Tiago Petinga/LUSA

O presidente afegão, Hamid Karzai, enfrenta mais uma vez, o comando militar da NATO no Afeganistão. Em causa está novamente a morte de civis, desta vez foram 52 pessoas que morreram devido a um bombardeio protagonizado pelas forças militares da NATO, na província de Helmand, no sul do país.
Esta segunda-feira, Karzai ordenou uma investigação para determinar a responsabilidade, tal como a Aliança Atlântica anunciou também a abertura de um inquérito, embora alegando já que "não há provas que confirmem as acusações", que consideram "totalmente infundadas", cita o jornal espanhol El País.

A versão do governo afegão é diferente e mais detalhada. Esta segunda-feira, o porta-voz adjunto do governo de Helmand, Abdul Rahim, contou que dois foguetes atingiram uma casa onde havia várias dezenas de civis. As vítimas tinham-se refugiado, tendo sido antes avisadas pelos talibãs, que controlam a região, dos combates que estavam a decorrer naquela área.

Os testemunhos são de dois afegãos que se encontram hospitalizados na província, perto de Kandahar e que foram entrevistados por um jornalista da AFP, no sábado. Ambos disseram que os foguetes que destruíram a casa tinham sido disparados por helicópteros das forças internacionais. No mesmo dia, a Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF), disse que estava ciente das “acusações ", mas “que não dispunha de informações operacionais relacionadas com este evento, é claro".

O ataque ocorreu no distrito de Sangin, localizada na província de Helmand, onde as tropas internacionais lançaram uma ofensiva com milhares de soldados em Fevereiro passado. 

As acusações chegam num momento delicado para as forças da NATO no Afeganistão após os atropelos políticos no controlo da missão, que acabaram com a ascensão do general David Petraeus, na sequência da demissão de seu antecessor, o general Stanley McChrystal. 

Foi precisamente por causa de McChrystal que a NATO limitou, ainda assim, o uso de bombardeios aéreos, na tentativa de evitar mais vítimas civis. Apenas no primeiro semestre deste ano, já morreram 1074 civis, o que representa um amento de 1,3% nas mortes de civis, em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a organização independente de monitorização de direitos do Afeganistão (ARM). 

Este acontecimento trágico e mortífero tornou-se público pouco depois de 90 mil páginas de ficheiros secretos norte-americanos serem conhecidos e virem provar que centenas de civis foram mortos pelas tropas da NATO, revelando, pela primeira vez, que os EUA criaram uma força especial para “matar ou capturar” líderes talibãn.
 

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