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Um bairro problemático chamado Portugal

Todas as semanas surgem notícias de violência policial.

Com ou sem razão para algum tipo de intevenção, a PSP, PJ e a GNR ultrapassam dramaticamente os limites da sua acção. A Polícia, já com núcleos neo-nazis no seu interior, está a transformar-se num aglomerado de gangs que actuam como muito bem entendem. Paga pelos nossos impostos, aproveita a legalidade do seu porte de arma e a legitimidade estatal da sua violência para fazer os seus próprios julgamentos.

Nos últimos tempos ouvimos falar de um "senhor que acatou de imediato a ordem", mas que saiu duma esquadra da PSP de madrugada com a mandíbula fracturada. Saiu de lá sem direito a telefonema, advogado ou assistência médica. Simplesmente com a promessa de que se abrisse a boca estava lixado.

Há menos de um mês, dois jovens negros foram espancados pela PSP na Amadora. Um deles vomitou na esquadra devido às agressões que sofreu. A Polícia ordenou-lhe que comesse o vómito, tendo este recusado. A solução da Polícia? Usá-lo como "esfregona".

Nos bairros dos subúrbios de Lisboa, que os jornalistas só se lembram quando a PSP lá vai fazer uma super-rusga de contornos mediáticos, o medo é constante. Bairros de trabalhadores que muitas vezes acumulam vários empregos para pagar as contas da família, e que sofrem brutalmente com o tráfico de drogas pesadas vindas de fora do Bairro.

Ser pobre nos subúrbios de uma grande cidade em Portugal hoje é ter os filhos a sair da escola vendo filas de PSP de caçadeira na mão. É a Polícia pedir a identificação a um grupo de jovens que esperam à porta de casa que os pais cheguem, só porque sim. Porque, segundo eles, são uma ameaça à "ordem". É não poder andar em grupos de mais de quatro pessoas, correndo o risco de encaixar no critério de "gang" de alguns agentes. Crescer assim não é fácil, quanto mais sentir-se integrado num país que nos trata como marginais, julgando-nos pela cor da nossa pele, ou pelo nome do nosso bairro.

Porque o Estado não aceita maus profissionais na área da medicina ou da educação, não pode compactuar com o abuso cada vez mais sistemático e rotineiro de alguns agentes. Não podemos aceitar que a Polícia faça os seus próprios julgamentos e que a comunicação social venda notícias tendenciosas sobre os bairros "problemáticos" por este país fora.

Se nada for feito e a impunidade na violência policial continuar, corremos o risco de termos todo o país a ser tendenciosamente noticiado pela imprensa estrangeira como de facto se vai tornar. Um gigantesco bairro social "problemático", onde se multiplicam os cidadãos revoltados e os gangs de bandidos fardados e pagos por nós todos. Com a impunidade perdemos todos, faça-se justiça.

Sobre o/a autor(a)

Gestor de redes sociais, investigador em comunicação política.
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