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China: 20 anos após Tianamnen, agravam-se as tensões étnicas

A Amnistia Internacional revelou em Março os dados sobre as execuções de condenados à morte no mundo inteiro, e a China é responsável por 72% do total. Dois meses depois, nas vésperas do 20º aniversário do massacre da Praça de Tiananmen, o governo chinês reforçou a censura na utilização da internet, bloqueando os acessos ao Twitter, Flickr e Hotmail, após ter feito o mesmo em relação ao youtube e ao blogger.

A meio do ano a economia chinesa recebeu boas notícias, após ultrapassar por escassa margem a Alemanha e tornar-se pela primeira vez líder mundial de exportações no primeiro semestre do ano.

Em Julho, a tensão na província de Xinjiang, no extremo-oeste da China,  entre a comunidade Uigur e a comunidade Han (maioritária na China, mas não na provícia) deu lugar a manifestações e à repressão. Os incidentes foram motivados por uma reacção à repressão policial sobre manifestantes que protestavam contra o assassinato de operários uigures numa fábrica do sul da China. Os confrontos alastraram-se, sucedendo-se episódios de violência e pilhagem entre as duas comunidades.

O governo admitiu a morte de cerca de 200 pessoas nos confrontos, embora os representantes uigures apontem para 800 vítimas mortais nos dias seguintes às manifestações. Quando estalou a crise, o presidente chinês estava a caminho da cimeira do G8 em Itália, tendo regressado a Pequim sem participar na reunião.

A tensão não desapareceu e em Setembro, o governo substituiu o chefe da polícia e o responsável do Partido na capital da província, Urumqi, na sequência de uma onda de boatos acerca de supostos ataques protagonizados por uigures contra os han, armados de seringas infectadas.

Os julgamentos dos envolvidos nos confrontos deu lugar a mais de dez condenações à morte - sobretudos aos acusados uigures -, com as organizações de direitos humanos a dizerem que os julgamentos foram "uma farsa". Entrevistado pelo órgão de imprensa do PCP, um membro do Comité Central do Partido Comunista Chinês afirmou que os tumultos de Xinjiang foram "exemplos da acção imperialista para conter e dividir a China".

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Resto dossier

O Mundo em 2009

Este ano ficou marcado pela crise económica mundial, a precariedade e o desemprego nos países desenvolvidos, onde o capital pôs em marcha novas tácticas. 2009 começou sob o signo da guerra israelita contra Gaza e viu disputarem-se eleições com fortes suspeitas de fraude no Irão e no Afeganistão. Obama frustrou muita da esperança que dizia trazer à Casa Branca e o tempo dos golpes de Estado voltou à América latina. A xenofobia ganhou espaço na Europa, tal como a repressão na China. O ano fechou com os líderes mundiais a deixarem claro que não estão à altura de evitar a catástrofe ecológica. 

Cimeira de Copenhaga acaba em fracasso

Ao fim de dois anos de negociações, os países reunidos em Copenhaga não conseguiram o tão esperado acordo. Numa manobra de última hora, Obama reuniu as assinaturas de 28 países num texto que não define metas nem é vinculativo para ninguém. A cimeira expulsou algumas ONG presentes e a polícia dinamarquesa reprimiu as acções de rua dos activistas ambientais. Mas não conseguiu impedir que cem mil pessoas se juntassem na maior manifestação de sempre pela justiça climática.

Afeganistão: a guerra continua

Pela primeira vez desde a invasão, morreram mais soldados ocupantes no Afeganistão do que no Iraque. As eleições presidenciais afegãs ficaram marcadas pela fraude generalizada, o que não impediu Obama de reforçar as tropas dos EUA, acusadas de bombardeamentos sobre a população civil.

Irão: presidenciais abrem brecha no regime

A revolta encheu as ruas de Teerão quando foram anunciados os resultados das presidenciais de Junho. O poder de Ahmadinejad tremeu pela primeira vez na campanha, mas apesar das denúncias de irregularidades acabou por ser validada a sua vitória com 64%. A repressão que se seguiu matou dezenas de pessoas e levou quatro mil à prisão. Seis meses depois, cerca de 140 opositores continuam presos e pelo menos cinco foram condenados à morte.

Xenofobia na Europa

O resultado do referendo suíço a proibir a construção de minaretes foi um dos sinais mais visíveis do regresso da xenofobia aos países europeus. Mas a perseguição aos imigrantes foi reforçada na lei de outros países.

Israel vira à direita após massacre de Gaza

A ofensiva terrestre de Israel na faixa de Gaza teve início a 27 de Dezembro de 2008, e terá provocado cerca de 1.417 mortos, entre os quais 926 civis. As Nações Unidas referem ainda a destruição de mais de 50 mil casas, 200 escolas, 800 propriedades industriais, 39 mesquitas e duas igrejas.

Honduras: o regresso dos golpistas à América Latina

Quando alguns membros do exército hondurenho tiraram Manuel Zelaya do palácio presidencial para o levar para a Costa Rica, foi difícil não lembrar o passado da América Latina repleta de golpes de estado com a bênção de Washington. A história voltou a repetir-se nas Honduras do século XXI.

China: 20 anos após Tianamnen, agravam-se as tensões étnicas

A China passou a líder mundial das exportações no primeiro semestre de 2009, mas o ano que lembrou o 20º aniversário do massacre de Tiananmen ficou marcado pela repressão sobre opositores e minorias étnicas.

France Telecom: Suicídios e pressão laboral

O escândalo abalou a França. As dezenas de suicídios de trabalhadores vítimas da reestruturação da empresa traduziam-se em recompensa aos dirigentes da France Telecom, cinco anos após a privatização.

Crise financeira: do G8 ao G20

Na ressaca da maior crise financeira desde o colapso de Wall Street em 1929, o mundo viu crescer o desemprego e a fome. Mas também assistiu à emergência do G20 como principal fórum das questões económicas, com duas cimeiras a adiarem medidas urgentes para travar a ganância dos especuladores.

Obama e a esperança que diminui

O primeiro ano da administração Obama veio confirmar as reticências de muitos acerca da prometida "mudança" no sistema político e económico dos EUA. A promessa falhada de encerrar Guantanamo no prazo de um ano e o reforço da guerra no Afeganistão são a marca deste início de mandato.