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Cimeira de Copenhaga acaba em fracasso

"A cidade de Copenhaga é hoje o lugar do crime climático, com os culpados a fugir envergonhadamente para o aeroporto", declarou a ONG Greenpeace, referindo-se à maioria dos 120 líderes mundiais presentes na cimeira, que abandonaram a conferência antes que o acordo fosse aprovado em plenário. Para Jeremy Hobbs, director executivo da Oxfam International, "o acordo é um triunfo da propaganda sobre a substância. Reconhece a necessidade de manter o aquecimento global abaixo dos 2 graus, mas não se compromete quanto a forma de o levar a cabo".

"Os líderes falharam em conseguir um verdadeiro acordo como prometido. Ignoraram a ciência e guiaram-se por interesses nacionais. Estamos perante um atraso com muitos custos, que podem ser medidos em vidas humanas e em dinheiro perdido", afirmou por seu lado a Quercus em comunicado.

A eurodeputada Marisa Matias, que integrou a delegação do Parlamento Europeu em Copenhaga, lamentou que no fim da cimeira haja "um acordo pior, mais pobre, nada clarificado" e com um financiamento que "ficou aquém do desejado" sem "capacidade de definir metas". Em suma, "uma enorme contradição em relação aos objectivos iniciais da conferência", diz a eurodeputada bloquista que critica a atitude da União Europeia durante a cimeira: "A posição que teve foi de mera observadora do processo, nunca intervindo de uma forma clara e efectiva e sem nunca definir um movimento global".

O texto que foi preparado em reuniões entre os EUA, China, Índia, África do Sul e Brasil acabou por não recolher o apoio dos 193 países presentes na cimeira. Os países do G77 contestaram o facto de mais uma vez terem sido postos de lado nas negociações aqueles que mais sofrem com as alterações climáticas e as críticas vieram também da América latina. "Vão aprovar um golpe de estado contra as Nações Unidas", disse o porta-voz do governo venezuelano, enquanto o representante da Bolívia declarou que "este acordo na sombra é um documento que não expressa os quase dois anos de discussão". Já o delegado cubano preferiu chamar a atenção dos presentes para o facto de "há quatro horas atrás que o presidente Obama anunciou um acordo que não existe".

À falta de unanimidade para aprovar o texto desenhado pelos 26 países escolhidos pela presidência dinamarquesa, a presidência da cimeira foi obrigada a recuar durante a madrugada, anunciando de manhã que a cimeira simplesmente "toma nota" deste texto. Daqui a seis meses há novo encontro marcado para Bona, que servirá para preparar a próxima cimeira no México, onde supostamente se definirão as metas de redução de emissões de gases de efeito de estufa.

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Resto dossier

O Mundo em 2009

Este ano ficou marcado pela crise económica mundial, a precariedade e o desemprego nos países desenvolvidos, onde o capital pôs em marcha novas tácticas. 2009 começou sob o signo da guerra israelita contra Gaza e viu disputarem-se eleições com fortes suspeitas de fraude no Irão e no Afeganistão. Obama frustrou muita da esperança que dizia trazer à Casa Branca e o tempo dos golpes de Estado voltou à América latina. A xenofobia ganhou espaço na Europa, tal como a repressão na China. O ano fechou com os líderes mundiais a deixarem claro que não estão à altura de evitar a catástrofe ecológica. 

France Telecom: Suicídios e pressão laboral

O escândalo abalou a França. As dezenas de suicídios de trabalhadores vítimas da reestruturação da empresa traduziam-se em recompensa aos dirigentes da France Telecom, cinco anos após a privatização.

Crise financeira: do G8 ao G20

Na ressaca da maior crise financeira desde o colapso de Wall Street em 1929, o mundo viu crescer o desemprego e a fome. Mas também assistiu à emergência do G20 como principal fórum das questões económicas, com duas cimeiras a adiarem medidas urgentes para travar a ganância dos especuladores.

Obama e a esperança que diminui

O primeiro ano da administração Obama veio confirmar as reticências de muitos acerca da prometida "mudança" no sistema político e económico dos EUA. A promessa falhada de encerrar Guantanamo no prazo de um ano e o reforço da guerra no Afeganistão são a marca deste início de mandato.

Cimeira de Copenhaga acaba em fracasso

Ao fim de dois anos de negociações, os países reunidos em Copenhaga não conseguiram o tão esperado acordo. Numa manobra de última hora, Obama reuniu as assinaturas de 28 países num texto que não define metas nem é vinculativo para ninguém. A cimeira expulsou algumas ONG presentes e a polícia dinamarquesa reprimiu as acções de rua dos activistas ambientais. Mas não conseguiu impedir que cem mil pessoas se juntassem na maior manifestação de sempre pela justiça climática.

Afeganistão: a guerra continua

Pela primeira vez desde a invasão, morreram mais soldados ocupantes no Afeganistão do que no Iraque. As eleições presidenciais afegãs ficaram marcadas pela fraude generalizada, o que não impediu Obama de reforçar as tropas dos EUA, acusadas de bombardeamentos sobre a população civil.

Irão: presidenciais abrem brecha no regime

A revolta encheu as ruas de Teerão quando foram anunciados os resultados das presidenciais de Junho. O poder de Ahmadinejad tremeu pela primeira vez na campanha, mas apesar das denúncias de irregularidades acabou por ser validada a sua vitória com 64%. A repressão que se seguiu matou dezenas de pessoas e levou quatro mil à prisão. Seis meses depois, cerca de 140 opositores continuam presos e pelo menos cinco foram condenados à morte.

Xenofobia na Europa

O resultado do referendo suíço a proibir a construção de minaretes foi um dos sinais mais visíveis do regresso da xenofobia aos países europeus. Mas a perseguição aos imigrantes foi reforçada na lei de outros países.

Israel vira à direita após massacre de Gaza

A ofensiva terrestre de Israel na faixa de Gaza teve início a 27 de Dezembro de 2008, e terá provocado cerca de 1.417 mortos, entre os quais 926 civis. As Nações Unidas referem ainda a destruição de mais de 50 mil casas, 200 escolas, 800 propriedades industriais, 39 mesquitas e duas igrejas.

Honduras: o regresso dos golpistas à América Latina

Quando alguns membros do exército hondurenho tiraram Manuel Zelaya do palácio presidencial para o levar para a Costa Rica, foi difícil não lembrar o passado da América Latina repleta de golpes de estado com a bênção de Washington. A história voltou a repetir-se nas Honduras do século XXI.

China: 20 anos após Tianamnen, agravam-se as tensões étnicas

A China passou a líder mundial das exportações no primeiro semestre de 2009, mas o ano que lembrou o 20º aniversário do massacre de Tiananmen ficou marcado pela repressão sobre opositores e minorias étnicas.