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O grande desafio

O bloco central aprovou o PEC, que é um plano de autêntico desastre económico e social para os próximos quatro anos. A luta contra este programa vai marcar toda a vida social e política em Portugal durante muito tempo.

O plano do governo abandona o combate à pobreza, corta nos apoios sociais aos mais desfavorecidos, impõe a redução dos salários reais, manterá altíssimos níveis de desemprego. E, a par disso, estende as parcerias público-privadas, uma forma de entregar de mão beijada mais valias ao capital privado; despreza o combate à evasão fiscal e promete maior entrega de bens públicos aos privados.

Não é um plano de redução de despesas, é um plano para tirar aos pobres e dar aos ricos. Não era inevitável, como o Bloco bem provou com as propostas alternativas que apresentou. Não foi apenas uma imposição externa ou dos sectores económicos e financeiros mais poderosos, foi uma escolha: a da capitulação e do abandono das promessas eleitorais. Mas significa ainda mais, significa o abandono de ideais defendidos pelo PS, como o combate à pobreza e às desigualdades sociais. A atitude face ao rendimento social de inserção e ao subsídio de desemprego é bem a medida da política que o governo PS vai seguir: capitulação perante a direita, até à sua demagogia populista mais primária.

PSD e CDS viabilizaram o orçamento para 2010, que já ia no sentido deste programa. Agora, na votação da resolução sobre o PEC, o PSD absteve-se e o CDS votou contra, apesar do programa capitular perante algumas das suas mais celeradas exigências.

Daqui para a frente, a direita viabilizará os planos negativos do governo, mas sempre exigindo mais e mais e culpando apenas o PS por tudo o que de mau acontece. O governo não só governa com o plano da direita, também a branqueia, dá-lhe argumentos e espaço. Se a oposição de esquerda for fraca e pouco mobilizadora, Sócrates acabará derrotado, com os votantes socialistas desmoralizados e entregando a governação a uma direita fortalecida.

O governo e o aparelho do PS vão fazer tudo para calar as vozes internas que contestam o PEC. Para o PS, este será o pior caminho, aquele que mostrará um partido submisso, incapaz de defender os seus próprios ideais e que, no final, entregará o poder à direita. À esquerda exige-se pois que faça um amplo combate, capaz de mobilizar o eleitorado socialista. Só assim será possível derrotar esta política para criar alternativa.

A oposição política e social a este PEC começou já, pela apresentação de alternativas e o voto contra no parlamento, pelas greves e protestos sociais dos funcionários públicos e dos trabalhadores de outras empresas e sectores.

Vai prosseguir no debate de cada medida concreta e, sobretudo, na mobilização social contra as medidas do PEC. Nos próximos meses, vão-se multiplicar os protestos e as acções de rua. O grande desafio colocado à esquerda é o de chamar novos sectores sociais à luta, é o da mobilização social ampla.

Sobre o/a autor(a)

Editor do esquerda.net Ativista do Bloco de Esquerda.
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