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Cavaco, natalidade e hipermercados

Periodicamente Cavaco Silva vem a público interrogar-se sobre as causas da baixa natalidade em Portugal. Ao mesmo tempo, ficamos a saber que os hipermercados impõem 60 horas semanais e alterações arbitrárias de horários aos seus trabalhadores, na sua maioria mulheres e mães. Sr. Presidente, se quer saber porque baixa a natalidade pergunte ao seu amigo Belmiro…

Portugal continua um país obsceno. Os hipermercados, com a Sonae e a Jerónimo Martins à cabeça, depois de anunciarem um aumento nos seus lucros de milhões, têm o desplante de vir quase criminalizar os trabalhadores que vão fazer greve, por lutarem contra um horário que faz lembrar o século XIX.

É preciso afirmar, sem ambiguidade, que o aumento de milhões nos lucros destas empresas se faz à custa de remunerações próximas do salário mínimo, e de horários sem qualquer respeito pelo direito dos trabalhadores, como o de ter uma vida familiar e poder cuidar dos seus filhos.

Quando a direita fala da defesa da família, demonstra a mais descarada hipocrisia, pois este capitalismo que nos domina, espezinha qualquer possibilidade de, sobretudo os casais mais jovens (aqueles que podem aumentar a natalidade sr. Presidente), terem um mínimo de estabilidade.

São estes “empresários” que anunciam lucros de milhões os mesmos que não podem pagar 475 euros de salário mínimo, e que impõem o direito de decidir sobre a vida privada dos seus empregados. Como prémio recebem milhões em subsídios do Estado, para aumentar os dividendos dos accionistas, fruto da “história de amor” que mantêm com o seu Governo e o seu Presidente da República…

Sobre o/a autor(a)

Professor e historiador.
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