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Os lucros indecentes da banca

O furto legal continua... os quatro grandes bancos privados do mercado português BES, BCP, BPI e Santander Totta apresentaram no ano passado lucros de 1,445 mil milhões de euros, mais 13,8 por cento do que no ano anterior, ou seja, quatro milhões de euros por dia.

Um país a trabalhar para os lucros da banca - eis a explicação de tão brilhantes resultados.

Enquanto o discurso da crise volta, com a chusma de comentadores "economistas" a repetir a cassete da necessidade de sacrifícios para os trabalhadores (com especial destaque para os funcionários públicos), a banca continua escandalosamente a aumentar os seus lucros.

Com o apoio dos seus políticos do PS,PSD e CDS, a banca continua a pagar 12% de IRC enquanto o merceeiro da esquina paga 25%. Com tais lucros, tem o descaramento de falar na necessidade imperiosa dos aumentos dos "spreads" do crédito à habitação para as famílias já há muito com a corda na garganta.

Enquanto isto, o Estado tem de pagar milhões para tapar os buracos criados pelos desmandos dos banqueiros do BPN ou do BPP ( onde um certo grupo de depositantes, em vez de perseguir o banqueiro que os roubou, persegue o ministro para sacar dinheiro do Estado).

Curiosamente a comunicação social portuguesa, tem ignorado que nos EUA Obama quer avançar com uma taxa sobre os maiores bancos do país com o objectivo de recuperar 90 mil milhões de dólares (62 mil milhões de euros), em 10 anos, do dinheiro gasto pelo Governo a apoiar a banca durante o pico da crise. Não podemos esquecer que os bancos são dos principais anunciantes... (a liberdade de imprensa sofre muito quando esbarra no poder do dinheiro).

Está na hora de os bancos contribuírem par as despesas de uma crise provocada pela sua actividade especulativa. Uma taxa excepcional de 10% sobre os lucros da banca, como a que foi discutida no parlamento francês, é o mínimo que se pode pedir a quem exibe os seus lucros indecentes.

Sobre o/a autor(a)

Professor e historiador.
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