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Crime ambiental no Golfo do México

O desastre ambiental do Golfo do México é na verdade um crime, porque a BP não tomou as medidas necessárias para evitá-lo, nem tinha planos de contingência. Segundo Naomi Klein, a catástrofe desnuda a arrogância do capitalismo. Dossier coordenado por Luis Leiria.
Explosão da plataforma Deepwater Horizon. Foto da United States Coast Guard, wikimedia commons

O Golfo do México vive as consequências do maior derrame de petróleo no mar jamais ocorrido, provocado pela explosão, em 20 de Abril deste ano, da plataforma Deepwater Horizon, que matou 11 trabalhadores e feriu 17. Desde então, derramam para o mar 35 mil a 60 mil barris de crude por dia, e a British Petroleum tem-se demonstrado incapaz de interromper a fuga – todas as tentativas de fazê-lo falharam.

A mancha de petróleo já cobre uma área de pelo menos 6.500 quilómetros quadrados, devastando a vida marinha e os habitats das costas dos estados de Louisiana, do Mississippi, do Alabama e da Flórida. O governo de Barack Obama atribuiu todas as responsabilidades do desastre à BP, responsabilizando-a pela remoção do petróleo e pelo pagamento dos prejuízos, de forma a deixar tudo como estava. Mas nem uma coisa nem outra vão acontecer – há habitats que demorarão décadas a recuperar e a BP fará tudo para pagar o menos possível.

E isto apesar de cada vez ficar mais claro que a BP conhecia os riscos de explosão da plataforma e não empreendeu as medidas necessárias para garantir a máxima segurança, sempre tendo em vista os seus lucros; e não existiam planos de contingência para casos como este. A catástrofe do Golfo põe também em causa a segurança da extracção de petróleo em águas profundas, que é cada vez mais comum.

O dossier que preparámos mostra as irresponsabilidades da BP neste acidente que estava à espera de acontecer; Naomi Klein relata a extensão do desastre para as comunidades locais e como este é uma ferida violenta infligida à própria Terra; enquanto a sociedade civil se organiza diante do derrame, a Europa está à mercê de catástrofes como esta; nenhuma região do mundo tem sido tão devastada por catástrofes causadas por petrolíferas como o Delta do Níger, recorda Ricardo Coelho; lembramos ainda a história da BP, que nasceu como Anglo-Iranian Oil Company, e observamos que as multas às empresas poluidoras quase não têm impacto.
 

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Resto dossier

Crime ambiental no Golfo do México

O desastre ambiental do Golfo do México é na verdade um crime, porque a BP não tomou as medidas necessárias para evitá-lo, nem tinha planos de contingência. Segundo Naomi Klein, a catástrofe desnuda a arrogância do capitalismo. Dossier coordenado por Luis Leiria.

Uma catástrofe à espera de acontecer…

No coração do derrame provocado pela Deepwater Horizon está a procura do lucro. O derrame no Golfo do México é já, sem dúvida, o pior desastre ambiental na história dos E.U.A. Por Nicole Colson.

Derramamento no Golfo: um buraco no mundo

O desastre da Deepwater Horizon não é apenas um acidente industrial – é uma ferida violenta infligida à própria Terra. Nesta reportagem especial na costa de Golfo, Naomi Klein mostra como o desastre desnuda a arrogância no coração do capitalismo.

Sociedade civil de pé diante do derrame no Golfo

Activistas norte-americanos realizam protestos contra a incapacidade do governo e da multinacional British Petroleum para lidar com o derrame de petróleo no Golfo do México. Por Matthew Cardinale, da IPS

Europa está à mercê de catástrofes como a da BP

A Europa não está preparada para responder a acidentes como o registado na plataforma petrolífera da BP no Golfo do México, tanto a nível de leis - que são insuficientes - como de plano de emergência, que não existe.

A globalização dos crimes petrolíferos

Nenhuma região do mundo tem sido tão devastada por catástrofes ambientais causadas por petrolíferas como o Delta do Níger, onde milhões de pessoas vivem em condições infernais. Por Ricardo Coelho.

BP delineou o percurso do capitalismo transnacional

Entrevistado pela Democracy Now!, Stephen Kinzer, antigo jornalista do New York Times, autor de “All the Shah’s Men: An American Coup and the Roots of Middle East Terror”, analisa o papel da Anglo-Iranian Oil Company no golpe da CIA em 1953 contra o popular primeiro-ministro progressista do Irão, Mohammad Mosaddegh.  

As multas não demoveram os poluidores

O “castigo” atribuído às empresas poluidoras quase não tem impacto. Joshua Frank, co-autor, com Jeffrey St. Clair, da obra Red State Rebels: Tales of Grassroots Resistance in the Heartland, explica porquê.