Jorge Costa

Jorge Costa

Dirigente do Bloco de Esquerda. Jornalista.

Um protesto de vendedeiras contra impostos abusivos desencadeou a revolta. Em março de 1903, durante uma semana, Coimbra esteve em estado de sítio. Os detratores chamaram-lhe “a Revolta do Grelo”. Mas também houve quem a compreendesse como uma greve geral, ensaio para maiores feitos futuros. Por Jorge Costa.

Se não saíssem, por alturas do natal, tantos artigos cheios de grandes lições do ano que termina, é provável que o novo ano se recusasse a entrar. A questão jamais se colocou, pois sábios balanços nunca faltam. Vou recordar apenas alguns.

Consumidores de pellets vão gastar mais 600 euros, em média, neste inverno. O mercado livre volta a atacar.

Enquanto abre as portas a privilegiados de todo o mundo, o governo despreza outros deslocados que nos batem à porta. Exemplar é o caso dos imigrantes timorenses que têm desembarcado em Lisboa, atraídos por redes de tráfico com as quais se endividam.

António Costa junta à sua passividade um problema crescente de credibilidade. Fala do "maior aumento de sempre das pensões", mas os reformados já perceberam que vão ficar mais pobres. O governo fala de redução da taxa de IVA da eletricidade mas ela aplica-se a menos de metade de uma fatura normal.

Estas eleições foram um erro e poderiam ter sido evitadas, não fosse a sede de maioria absoluta de António Costa. Mas, aqui chegados, cabe-nos fazer do dia 30 um ponto de arranque de um novo ciclo à esquerda, que responda pelos salários, pelas pensões e pelo serviço nacional de saúde.

São herdeiros de Pinho os governantes que não corrigem as regras de favor à EDP. E também, desgraçadamente, quem continua a pagar na fatura as decisões da última maioria absoluta do PS. 

Há cem anos, as empregadas domésticas de Lisboa revoltaram-se contra a imposição de uma caderneta cadastral. Formaram o seu primeiro sindicato e, perante a violência e os preconceitos da República burguesa e patriarcal, avançaram para o que hoje se chamaria "visibilidade". Por Jorge Costa.

O governo sabe como travar a escalada, mas recusa atuar. A transição energética, por ser urgente, tem que ser justa: não pode tornar-se um fardo insuportável sobre a população e um jackpot para o oligopólio da energia. Artigo de Jorge Costa.

Para resistir à pressão imperialista e operar uma abertura pacífica, Cuba precisará do Partido Comunista, certamente. Mas não pode adiar mais a liberdade política. Quase impossível? Talvez. Mas a única forma de solidariedade com o povo cubano é apoiar essa possibilidade.