Jorge Costa

Jorge Costa

Dirigente do Bloco de Esquerda. Jornalista.

A coordenadora europeia da campanha BDS - Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel está em Portugal para contactos com ativistas e organizações solidárias com o povo palestiniano e falou ao Esquerda.net. Fiona Ben Chekroun sublinha a importância da pressão internacional para impedir a escalada genocida na Palestina. 

Venceremos a extrema-direita enfrentando os medos da nossa época com cultura unitária e um programa ecossocialista.

Há um Portugal que vive nos braços de facilitadores bem relacionados e há outro que só conhece dificuldades. No primeiro, qualquer lei ou portaria pode sofrer um jeitinho em nome de investimentos; no segundo, há muito aperto e poucos “apoios”, muitos estudos e avaliações e poucas decisões.

As manifestações de sábado colocaram Portugal em frente ao espelho. O que vimos? O que faremos?

A situação em França tem um aspeto pouco sublinhado entre nós, porque é excecional na União Europeia e incómodo para ela. O crescendo de lutas fez aumentar o número de sindicalizados e remeteu o Partido Socialista local à insignificância. O país tem hoje a esquerda mais forte da Europa.

A decisão de reduzir a remuneração dos certificados de aforro é o último desaforo lançado pelo governo às pessoas que trabalham.

Este governo faz girar a porta entre política e negócios, alimenta o nepotismo e o facilitismo, bloqueia a fiscalização do governo pelo parlamento, festeja estatísticas que contrastam com a realidade da vida, chama os serviços secretos. É o deslumbramento do poder absoluto.

O governo sabe o que é necessário fazer, mas - tal como noutras áreas - a sua proximidade aos interesses privados afasta-o de soluções à altura das dificuldades. Só a força de uma ampla mobilização cidadã pode responder à última chamada de um SNS em estado grave.

Em vez de cortar nos lucros especulativos, o governo oferece 410 milhões de IVA aos supermercados e pede-lhes o favor de os descontarem nos preços. Sempre que Costa assina um acordo, sai uma borla nos impostos para o capital.

Quinze anos depois, os professores voltam a ser tratados como inimigos. De novo por uma maioria absoluta do PS, que agora apela à PGR contra a greve. No tempo de Maria de Lurdes Rodrigues, ouviu-se a voz de Manuel Alegre. E agora?