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Uma grande mobilização para generalizar o protesto

Este dia 29 de Maio confirmou a disponibilidade dos trabalhadores e trabalhadoras para lutarem de forma decidida.

A manifestação do passado sábado foi um enorme protesto. A maior mobilização das últimas décadas em Portugal, na qual os trabalhadores enfrentaram a ofensiva mais hostil desde há muito tempo. A este apelo da CGTP responderam cerca de 300 mil pessoas, de todos os sectores e gerações: o movimento sindical, dos vários ramos do sector público e do sector privado, mas também muitos trabalhadores e pessoas que, organizadas ou não em movimentos e colectivos, responderam a uma convocatória urgente pelo futuro e pelas suas vidas. Foi um verdadeiro protesto geral, um sinal claro de que há um campo de combate e recusa à violência explícita do Governo sobre os mais fracos, que coloca em causa o falso consenso do bloco central e nebulosa das “inevitabilidades”.

Esta resposta do mundo do trabalho era vital. Só ela pode travar os planos para uma austeridade sem fim à vista e a previsível continuação do aumento do desemprego e a generalização da precariedade, ameaçando vastos sectores da população da exclusão dos direitos, mas também das condições de vida mínimas. Sabemos que será assim, se nada fizermos: as medidas de roubo e ataque aos trabalhadores e mais pobres vieram para ficar, numa espécie de cascata do terror do capitalismo na sua versão mais selvagem. São estes os nossos dias: o tempo do descaramento total, da ameaça e da perseguição aos mais pobres, da violência contra os trabalhadores, da chantagem sobre os desempregados.

“É com a unidade de todos e com objectivos bem concretos que vamos conquistar o futuro”. Carvalho da Silva, no seu discurso no final da manifestação, falou na necessidade de “transformar os enormes descontentamentos existentes num protesto sem tréguas”, fazendo “um apelo a todo o movimento sindical e a todos os trabalhadores” para uma convergência neste combate que se projecta no futuro próximo, no qual se devem “adoptar todas as formas de luta”. São palavras importantes, que abrem caminho ao protesto generalizado que a dimensão da ofensiva reclama.

Precisávamos desta energia, de sentir que há uma possibilidade de acção colectiva que ultrapassa os limites apertados em que nos querem a aceitar viver cada vez pior. Este dia 29 de Maio foi um momento importante e até, para uma nova geração de trabalhadores, a maior experiência colectiva e de mobilização nas ruas na qual alguma vez participaram. Mas, acima de tudo, confirmou a disponibilidade dos trabalhadores e trabalhadoras para lutarem de forma decidida, perante um apelo comum que exige justiça para as pessoas e não favores para os mercados e para esta burguesia que parasita a crise e as nossas vidas.

Sobre o/a autor(a)

Ativista da Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis
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