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Japão: Decisão de manter base dos EUA em Okinawa gera crise

A decisão do primeiro-ministro Hatoyama de manter a base militar dos EUA provoca a demissão da líder do Partido Social Democrata do governo. Por Tomi Mori, de Tóquio para o Esquerda.net
Manifestação em Nago pela saída da base dos EUA - Foto Hitoshi Maeshrio/EPA/Lusa

Em comunicado conjunto entre Japão e EUA foi divulgado, na sexta-feira, o plano de realocar a base militar de Futenma segundo os acordos firmados entre os dois países em 2006. Nesse plano definia-se a área costeira de Camp Schwab, no distrito de Henoko, na cidade de Nago, em Okinawa, como o local para a nova localização. Questões mais concretas sobre a construção, segundo o comunicado, serão definidas até o final de Agosto, com a participação de especialistas.

Apesar de ter manifestado anteriormente que iria realocar Futenma em outra área, o primeiro-ministro, Yukio Hatoyama, acabou por se sujeitar às imposições do governo americano, que exigia a manutenção dos acordos de 2006.

Foi provavelmente um dos piores dias de Hatayoma no governo. Na reunião extraordinária do gabinete convocada durante a tarde, a líder do Partido Social Democrata, Mizuho Fukushima, que já se tinha posicionado anteriormente nesse sentido, negou-se a assinar a resolução do gabinete com relação à realocação. Isso levou a que Hatoyama a demitisse do governo, gerando uma crise que, segundo os analistas, pode ser fatal. A aprovação de Hatayoma, que já tinha caído de 71% para 21%, antes mesmo desta resolução, terá certamente descido mais alguns pontos.

A demissão de Fukushima terá como consequência prática a ruptura da coligação governamental, da qual faz parte o Partido Social Democrata. Com o governo já bastante desacreditado, e, concretamente, à beira do naufrágio, nesse mesmo dia teve de enfrentar a desaprovação de uma boa parcela da população japonesa.

O presidente do município de Nago, comentando o comunicado, disse: “Não podemos aceitar nunca o plano de realocação.” O governo do primeiro-ministro Yukio Hatoyama “traiu os cidadãos de Okinawa.”(…) “Isso é imperdoável”. A população de Okinawa, como primeira resposta, já fez a primeira manifestação em Nago, com a participação de 1.200 pessoas.

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