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O sinónimo de segurança passou a ser violência

O que supostamente deveria ser uma situação gerida pela PSP de forma banal num caso de mero “barulho excessivo às tantas da noite”, foi tratada com a mais pura violência, impossibilitando às vitimas de se exprimirem através dos seus direitos enquanto cidadãos.

Foi no dia 25 deste mês que se deu registo de mais um caso de violência cometida por parte, imagine-se só, da instituição polícia (PSP). Nessa madrugada, um grupo de 2 jovens estavam no Bairro Alto pretendendo ir em direcção ao Cais do Sodré com a intenção de se deslocar para o autocarro com destino às suas respectivas casas. Azar foi quando um deles tomou a liberdade de poder tocar num dos muitos caixotes do lixo que por lá se encontravam, sendo abordados de forma agressiva por um agente que lá estava. Após lhe ter sido pedida a identificação, que recusou mostrar, este agente chegou mesmo ao ponto de retirar a placa no qual estava escrito o seu nome.

Perante a confusão que se gerou e com a incapacidade do agente de lidar de forma cordial com a situação, surge um carro patrulha com mais 3 agentes, no qual 2 deles nem sequer estavam fardados, agindo da forma mais absurda que se possa imaginar.

Pois é, basicamente, os “senhores agentes” começaram a fazer uma distribuição completamente gratuita de violência aos jovens, como pontapés, murros, chapadas, etc, sem nunca lhes ter pedido as suas identificações, e retirando as suas como forma de podererem utilizar os seus meios sem que nada lhes pudesse vir a acontecer.

O que supostamente deveria ser uma situação gerida pela PSP de forma banal num caso de mero “barulho excessivo às tantas da noite”, foi tratada com a mais pura violência, impossibilitando às vitimas de se exprimirem através dos seus direitos enquanto cidadãos.

Impressionante como vivendo neste tempo e sobretudo neste regime dito democrático, continuem a existir casos em que a instituição que foi criada para prevenir e zelar pela segurança da população, tenha a permissão de andar na rua com os mais variados tipo de armas e lhes seja possibilitado o uso corrente da violência.Este factor leva-nos pensar se não vivemos realmente numa sociedade organizada e patrulhada como meio de garantir que os governos possam tomar as suas decisões sem que haja contestação da população.

Muitas pessoas já foram vítimas de crimes policiais, mas pouco ou nada tem sido feito. A regra é a impunidade. Ainda este ano a Amnistia Internacional voltou a fazer essa denúncia sobre Portugal. Com a impunidade perdemos todos: vítimas de abuso policial e os agentes que não cometem abusos.

O absurdo não acaba por aqui. O comunicado efectuado pelas autoridades dá conta ainda de que não houve registo de agressões pela parte dos agentes envolvidos. Como será isto possível quando houve registo do caso de agressões a ambos os jovens, havendo mesmo uma mandíbula fracturada e negrões, com internamento no hospital S.José por parte de um desses jovens? Poderá pensar-se que queriam se auto-infligir como meio de poder prejudicar a PSP?

Que a polícia se sinta sem remorosos já todos percebemos, mas numa sociedade contemporânea não podem ocorrer estes tipos de casos de abuso de autoridade e de violência, sobretudo por parte da instituição que vela pela nossa segurança diária. Ou terá essa palavra sido substituída pelo termo violência?

É por isso que para este Domingo às 17h foi convocada uma concentração no Largo Camões por parte do Colectivo Estudantil A GARRA, com o intuito de lembrar os vários casos de pessoas vitímas de violência policial e dos abusos de autoridade seja na rua, seja nos mais variados bairros deste país.

Porque quem cala, consente, é necessário o respeito à lei, ao direito e à liberdade, e como tal o povo age contra as opressões que sofre diariamente.

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