You are here

Derrame de petróleo no Golfo do México ainda não está contido

Segundo as mais recentes estimativas do governo americano, o derrame acumulado ao longo de 37 dias pode ser duas vezes maior que o do Exxon Valdez, o petroleiro que embateu num recife no Alasca, em 1989.
O mar do Golfo do México demorará décadas a recuperar do desastre ambiental. Foto skytruth/Flickr

A operação “top kill”, na qual lama espessa foi injectada no solo do oceano para travar o derrame de petróleo da Deepwater Horizon, parece estar a dar resultado, mas o derrame ainda não foi contido. A operação continua e não há ainda garantias de que funcione, pelo que a BP se prepara para instalar uma cúpula para selar o poço.
Segundo as mais recentes estimativas do governo americano, o derrame acumulado ao longo de 37 dias pode ser duas vezes maior que o do Exxon Valdez, o petroleiro que embateu num recife no Alasca, em 1989. Estas estimativas, contudo, podem ser conservadoras.
Para reduzir os impactos negativos do petróleo, a BP utilizou grandes quantidades de dispersantes químicos, que decompõem o petróleo em partículas mais pequenas de forma a acelerar a sua degradação. Os dispersantes, contudo, são extremamente tóxicos e a Agência de Protecção Ambiental dos EUA acabou por limitar a sua utilização.
O mar do Golfo do México demorará décadas a recuperar do desastre ambiental. Neste momento, a extensão dos danos depende em grande parte das correntes, tendo já cientistas alertado para a eventualidade de agravamento dos danos em resultado da forte temporada de furacões que se aproxima.
A BP, empresa que se tem retratado como ambientalmente correcta, sai deste desastre com a imagem fortemente afectada. O acidente não só expõe as consequências do seu desinvestimento em segurança mas também demonstra como nunca concebeu um plano credível de resposta a derrames de petróleo.
Manchada está também a imagem do governo dos EUA. A administração Obama pretendeu distinguir-se da administração Bush levando mais a sério a preservação do ambiente mas o desastre ambiental tornou claro que o conluio entre governo e petrolíferas continua a ser forte. A prová-lo está o facto de a BP ter sido isentada de efectuar um estudo de impacto ambiental detalhado das suas actividades no Golfo do México.
Schwarzenegger, governador da Califórnia, anunciou já a sua oposição à expansão da exploração de petróleo offshore, revertendo a sua posição anterior. Obama, contudo, insiste na necessidade de explorar mais poços de petróleo no Golfo do México, prometendo que acidentes como este não se repetirão no futuro.


Artigo de Ricardo Coelho

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Ambiente
Comentários (2)