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Contra a ganância: [email protected] à manif

Rejeitamos a ganância com a força da solidariedade da esquerda europeia. E essa força estará nas ruas neste sábado, na manifestação da CGTP, onde o Bloco estará em bloco.

A Europa está sob assalto dos especuladores financeiros. Encontraram na dívida pública novas formas de lucros perante a debilidade de outros mercados. Mas os países não são todos iguais neste assalto. Grécia, seguida de Portugal, foram os primeiros alvos. Segue-se a Espanha, Itália e Irlanda. E a onda da ganância especulativa ameaça arrastar-se a toda a Europa.

A razão é simples. Não é o nível de endividamento que dita a força do assalto. É antes a incapacidade estrutural das economias periféricas em criar emprego e a absoluta falta de solidariedade das economias ricas da Europa.

Em Portugal a taxa de desemprego continua a crescer, somando níveis históricos a recordes históricos. Já vamos nos 10,5%, mais de 600 mil desempregados, o que nos coloca no 4º lugar dos países europeus com maior nível de desemprego. Há 30 anos que não se registava um desemprego tão persistente e enraizado. Um em cada dez portugueses não encontra posto de trabalho. Oito em cada dez das pessoas que perderam o emprego em 2009 tinham um vínculo precário. Somos a terceira economia europeia com maior percentagem de trabalho precário. São estes os números da economia real e também da governação falhada.

E perante os números do abismo social o que dita a Europa e o Governo português? Toda a austeridade social sobre os salários e os desempregados. Quem paga a factura da especulação financeira? Quem trabalha e é arrastado para o desemprego e a pobreza pelo desastre das políticas económicas.

O liberalismo é a resposta à crise provocada pelo liberalismo: aumentar os impostos sobre o trabalho e o consumo; reduzir ao mínimo o Estado social, com o corte nos apoios aos desempregados e pobres; privatizar os serviços públicos; atacar os direitos do trabalho. O objectivo: penalizar os salários e o poder de compra; impor a precariedade mais selvagem; ter uma economia do desastre social, incapaz de criar emprego e garantir direitos democráticos. 

Ao mesmo tempo, todas as benesses para o capital: quem criou a crise é quem lucra com ela. Quem teve toda a ajuda das contas públicas para sair das dificuldades e agravou os níveis de endividamento dos Estados é quem agora especula contra essas mesmas contas públicas. Onde estão as promessas de regular os mercados financeiros? Para quando o fim dos off-shores? Porque não avança a taxa Tobin sobre as transacções financeiras? Como se permite uma banca que apresenta lucros nos picos da crise e paga de imposto menos que qualquer mercearia? Na Europa, na Grécia, em Portugal, quem manda é a ganância.

Rejeitamos a ganância com a força da solidariedade da esquerda europeia. E essa força estará nas ruas neste sábado, na manifestação da CGTP, onde o Bloco estará em bloco. Como está em cada protesto e greve geral na Grécia. Aqui e lá estamos juntos porque a luta é comum contra as políticas liberais.

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda, engenheira agrónoma.
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