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Península coreana: alta tensão

Afundamento de corveta sul-coreana provoca a maior tensão entre as duas Coreias desde a guerra. Por Tomi Mori, de Tóquio para o Esquerda.net
Guarda sul-coreano da fronteira entre as duas Coreias. Foto de James Cridland, FlickR

O presidente sul-coreano, Lee Myung Bak, disse estar disposto a punir a vizinha Coreia do Norte por ter afundado a corveta Cheonan em Março, o que provocou a morte de 46 marinheiros. Este é o maior conflito desde que terminou a guerra entre os dois países – que durou de 1950 a 1953 –, fazendo a tensão elevar-se na península coreana.

Lee exigiu que a Coreia do Norte apresente desculpas ao seu país e também à comunidade internacional, dizendo que levará o assunto ao Conselho de Segurança da ONU, pedindo a imposição de sanções contra o vizinho do Norte. Afirmou também que o objectivo do norte é instigar a divisão e o conflito. Como medidas imediatas, declarou banidos o comércio, os investimentos e as visitas ao país vizinho. Também proibiu os navios norte-coreanos de utilizarem uma rota mais curta através das suas águas. E prepara-se para instalar auto-falantes na fronteira desmilitarizada para fazer propaganda e esclarecer a população norte-coreana.

Por seu lado, a Coreia do Norte nega ter torpedeado o navio e diz estar disposta a ir à guerra se sancionarem o seu povo. Kim Jong Il ordenou que o exército seja imediatamente posto de prontidão para a guerra.

O governo dos EUA, que sempre apoiou a Coreia do Sul, está a mobilizar-se, através de Hilary Clinton, para forçar vários governos, como o do Japão e o da China, a repudiarem a agressão norte-coreana. O Japão, que é um grande aliado americano, prontamente cerrou fileiras, mas a China tem relutado a fazê-lo. Pequim teme que um colapso do governo de Kim Jong Il possa causar problemas indesejáveis, principalmente na fronteira.

É difícil de entender a agressão da ditadura de Kim Jong Il, mas tudo leva a crer que o objectivo real é desviar a atenção da população norte-coreana dos problemas económicos internos, que se agravaram desde as últimas mudanças económicas, e que podem levar à morte por inanição de milhões de norte-coreanos nos próximos meses. Uma calamidade como esta já aconteceu anteriormente.

Mas condenar as atitudes de Kim não nos pode levar a cerrar fileiras com os EUA, que não têm autoridade moral para condenar qualquer agressão, já que são os campeões de agressões do planeta, com uma lista interminável desde que se estabeleceu a actual ordem mundial após a Segunda Guerra. Seria melhor que Clinton gastasse as suas energias para retirar as tropas americanas do Afeganistão, do Iraque, do Japão e os seus 28.500 efectivos na Coreia do Sul.

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