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Pós-Copenhaga

O facto de, em Copenhaga, o principal parceiro de negociação ter sido a China, não sendo significado de grande espanto, não é acontecimento de somenos relevância. Não só devido ao fenómeno de, inversamente à tendência das economias do eixo-atlântico, a China se preparar para continuar com uma sustentada taxa de crescimento económico, mas também, em medida implícita, ao paulatino transporte em curso do cerne da economia mundo para o lado asiático do globo.

Acresce ainda, a total inoperância da União Europeia enquanto actor de preponderância, na política mundial. Dado em tudo concomitante com um quadro institucional frouxo, mais débil ainda depois do Tratado de Lisboa, e com um modelo económico desacertado que, tanto no decurso da crise como antes dela, preso ao Pacto de Estabilidade e Crescimento e às Estratégias de Lisboa I e II, de crescimento económico não trouxe nada e de bem-estar social menos ainda.

Copenhaga foi elucidativa da continuidade do trilho da política externa dos EUA, como de resto a continuação das jornadas bélicas no Médio Oriente e a postura do próprio Obama aquando da recepção do prémio Nobel da Paz, já claramente indiciavam. Na perspectiva dos EUA, apesar da significativa transformação alegórica que a administração Obama introduziu, o futuro pode muito bem vir a ser uma continuação do passado.

Mais depredação, mais desregulação e mais desigualdade. A prossecução de políticas ambientais irresponsáveis; o seguimento da ortodoxia neoliberal, que entre receituários do Fundo Monetário Internacional e conversas de G20's, permanece beneplácita da lógica de casino da especulação financeira; e a acentuação das assimetrias sociais, tanto a nível global quanto a nível local: o último grande acto público de 2009 não trouxe, como tem sido tão dito, grande novidade, mas foi bastante ilustrativo daquilo que será o início desta década. 

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