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Mais de 200 jovens participaram no Inconformação 2010

Terminou na tarde de Domingo, o Inconformação 2010, um fim-de-semana de formação à esquerda que contou com a participação de mais de 200 jovens em 14 debates. Texto de Hugo Evangelista e Ricardo Coelho

José Manuel Pureza, na manhã de Sábado, assinalou como os atentados do 11 de Setembro de 2001 marcaram uma mudança na política internacional, na medida em que a luta contra o terrorismo passou a ser a grande prioridade das relações internacionais. A Administração Bush elegeu como inimigo a abater um inimigo mal definido, o "eixo do mal", permitindo estender a guerra a todo o mundo. Com Obama a guerra continua, embora encoberta por uma retórica mais defensora do multilateralismo e da cooperação entre estados.

Alertou ainda para o facto da doutrina da NATO estar a ser, ainda hoje, reorientada para a guerra infinita, que inicia "guerras preventivas" justificadas como resposta às "ameaças à paz global", como a pobreza ou as alterações climáticas. O maior inimigo do pacifismo, portanto, é a doutrina do medo.

No Domingo de manhã, Luís Fazenda falou de "Democracia e Socialismo" e fez uma recapitulação da história dos diferentes tipos de democracia. Nascida na Revolução Francesa, a democracia parlamentar como a conhecemos teve muitos altos e baixos, sendo o voto universal uma conquista recente. As democracias parlamentares francesa e americana, as primeiras do mundo, excluíam do direito de voto à maioria da população, na medida em que apenas homens brancos e com posses poderiam votar. A exclusão dos trabalhadores do direito de participar na vida colectiva foi o centro da crítica dos socialistas a esta democracia burguesa.

A democracia é essencial para a construção do socialismo, sendo claro que a degenerescência democrática na URSS e noutros países que se reclamam da ideologia socialista (incluindo Cuba) é motivo suficiente para que não nos revejamos nessas experiências. Um governo socialista tem que ser constantemente legitimado pelo voto popular, caso contrário será formado por uma burocracia que não representa a população.

No debate de encerramento, Francisco Louçã falou da economia do medo, gerada pelos mercados financeiros e permitida pelos vários Governos, e como esta é utilizada pelo sistema capitalista para provocar e justificar soluções cada vez mais violentas para os trabalhadores, culminando na redução dos salários reais e desemprego. A luta anti-capitalista é, portanto, contra a globalização financeira, que destrói a democracia.

A crise que atravessamos tem no seu centro a especulação financeira, que gerou enormes lucros para os que agora defendem a baixa dos salários, incluindo os gestores que recebem prémios milionários. Defender uma redução de salários nos países menos desenvolvidos da União Europeia de 20% ou mais, como têm defendido empresários e alguns economistas, é defender que os trabalhadores devem perder três meses de salário por ano para pagar a factura da crise que não causaram. Quando vemos que esta quebra representaria uma poupança de custos para as empresas de apenas 3%, sabemos que não está aqui a solução.

Louçã terminou apelando à participação de todos os jovens presentes na manifestação nacional de dia 29 de Maio, como uma parte de uma resposta às políticas de austeridade do governo Sócrates. 

Os textos de apoio do encontro estão disponíveis aqui

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