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Vítimas do tiroteio de Bagdade processam Blackwater

blackwaterA empresa de segurança que acompanha diplomatas e altos-responsáveis da administração norte-americana no Iraque vai enfrentar a acusação dos sobreviventes do tiroteio que matou 17 pessoas no mês passado. A queixa foi entregue num tribunal dos Estados Unidos e alega que a Blackwater violou as leis dos EUA ao cometer crimes de guerra e execuções extra-judiciais. O seu presidente diz que a acusação "tem motivações políticas".

A empresa Blackwater é muitas vezes notícia e quase sempre associada a tiroteios como o que ocorreu na praça Nisour, em que as testemunhas asseguram que os mercenários abriram fogo indiscriminadamente sem que nada se tivesse passado para provocar aquela acção. Ao todo, a empresa tem cerca de 1000 empregados no Iraque, a maior parte a proteger diplomatas e funcionários das missões dos EUA, calculando-se o valor dos contratos assinados com o governo nos últimos seis anos em mais de mil milhões de dólares.

A queixa foi apresentada pelo Centro de Direitos Constitucionais (CDC), uma organização sem fins lucrativos que protege os direitos dos cidadãos através da acção nos tribunais, promovendo queixas sobre a situação em Guantánamo ou as transferências ilegais de prisioneiros, por exemplo. Desta vez, em conjunto com algumas firmas de advogados, apresentaram a queixa em nome de um dos sobreviventes e das famílias de três pessoas assassinadas pelos homens da Blackwater.

O porta-voz do CDC afirmou que "A incapacidade repetida e consistente da Blackwater em agir de acordo com a lei da guerra, a lei dos EUA e a lei internacional, prejudica o nosso país e prejudica o Iraque. Para o bem dos dois países, bem como para inúmeros civis inocentes, a empresa não pode continuar a operar extra-legalmente, fornecendo mercenários que fazem troça das leis."

O processo foi entregue em Washington e alega que a Blackwater e as companhias afiliadas "criaram e promoveram uma cultura de impunidade entre os seus empregados, encorajando-os a aagir em nome dos interesses financeiros da empresa e à custa de vidas humanas inocentes." As empresas alvo deste processo incluem a Blackwater USA, Blackwater Security Consulting LLC, a holding Prince Group LLC, e o fundador da Blackwater, Erik Prince.

Prince já veio reagir à queixa apresentada, acusando o CDC de ter "motivações políticas" O chefe da Blackwater disse ainda que o Centro já defendeu bombistas do World Trade Center em 1993 e vários assassinos de agentes do FBI. O director-executivo do CDC desmentiu as acusações e disse que "chegou a hora da Blackwater prestar contas".

Este fim de semana, a violência não parou no Iraque. No domingo o correspondente do Washington Post em Bagdade, Saif Aldin foi morto a tiro, tornando-se no 118º jornalista assassinado no Iraque, nas contas do Comité para a Protecção dos Jornalistas citado pelo Post.

 

 


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