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Um ano após o massacre em Gaza, soldados israelitas matam seis palestinianos

Bombardeamento israelita em Gaza, a 28 de Dezembro de 2009, que matou 140 palestinianos. Foto EPA.Este domingo lembrou-se o massacre que aconteceu na faixa de Gaza provocado pelos bombardeamentos massivos israelitas, numa vigília em frente à Embaixada de Israel. Passado um ano, o cerco ilegal a Gaza e os ataques militares continuam.

Um dia antes da data que assinala os bombardeamentos de Israel que se estenderam até 18 de Janeiro de 2009 e causaram a morte de mais de 1400 palestinianos (a maior parte civis, entre crianças, mulheres e idosos) e ainda milhares de feridos na faixa de Gaza, soldados israelitas mataram seis palestinianos na Cisjordânia ocupada.

No dia 27 de Dezembro de 2008, as forças armadas do Estado de Israel desencadearam um assalto militar em larga escala contra toda a população de Gaza, após ano e meio de um bloqueio cruel que transformou 1.5 milhão de palestinianos em reclusos nas suas próprias casas. Os bombardeamentos massivos dos primeiros dias culminaram numa invasão devastadora.

Na operação militar “Chumbo fundido” as forças armadas israelitas lançaram fósforo branco sobre zonas urbanas densamente populadas e lançaram fogo a mesquitas, escolas, hospitais, cimenteiras, instalações da ONU, padarias e habitações. Israel invocou auto-defesa como justificação para o ataque contra Gaza e chamou à operação uma guerra, embora o mundo tenha assistido a um massacre, de facto, e por isso reagiu com protestos internacionais em muitos países.

Neste sábado, a mesma justificativa utilizada para o massacre de 2008 foi novamente evocada, a necessidade de acabar com o disparo de rockets por combatentes palestinianos a partir de Gaza. Segundo fontes do exército israelita, desde o fim da última grande operação, em 18 de Janeiro de 2009, foram disparados cerca de 270 rockets, um número bastante reduzido se comparado com os mais de 3300 disparados em 2008.

A porta-voz militar israelita afirmou que três palestinianos foram mortos por suspeita de tentarem sair da Faixa de Gaza e infiltrar-se em Israel, outros três foram atacados por um avião da força aérea israelita e foram acusados de tentar cruzar a fronteira para actividades terroristas. Para o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rudeina, Israel está a inflamar a tensão, e tenta impedir a progressão de esforços de paz liderados pelos Estados Unidos. As conversações de paz foram interrompidas na sequência da ofensiva militar israelita em Gaza.

Uma vigília para lembrar o massacre em Gaza terá lugar em frente da Embaixada de Israel, em Lisboa, e decorre entre as 15h e as 19h. O Comité pela Palestina, o SPGL, a CGTP e o Bloco, entre outras organizações e personalidades públicas, fazem parte da comissão organizadora (ver folheto aqui ). As organizações reclamam o fim do cerco ilegal a Gaza e o fim da ocupação e colonização israelita dos territórios palestinianos que se vai intensificando, não permitindo ao povo da palestina o recuperar da destruição.

As ruínas de fábricas, de mesquitas e de escolas compõem, na Faixa de Gaza, o cenário do impacto da represália imposta há um ano por Israel ao território palestino. Israel proibiu a importação de materiais de construção, aço e cimento, tubos, vidros e qualquer coisa que possa servir para construir abrigos antiaéreos e mísseis. Mesmo assim, muitos materiais chegam a Gaza clandestinamente, a preços altíssimos, através dos túneis escavados sob a passagem de Rafah, que liga o sul do território palestino ao Egipto.

Por outro lado, muitos moradores de Gaza que perderam suas casas para as bombas de Israel, continuam alojados na casa de familiares ou em abrigos improvisados. Segundo a APF, este é o caso da família Sawafiri, que viu a sua propriedade ser destruída pelos tanques israelitas. Esta família ficou sem a sua fonte de subsistência, um aviário que tinha na altura 30.000 aves e um silo com 20 toneladas de trigo. "Já faz um ano, e ainda não sabemos por que fizeram isso", diz Mahmud Sawafiri, de 24 anos.

Segundo o Jornal de Notícias, num comunicado divulgado este domingo, Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, apelou às autoridades israelitas para acabarem com o bloqueio "inaceitável e contraproducente" de Gaza, onde diz que há uma "sensação de desesperança" entre os 1,5 milhões de palestinianos que vivem no território, metade deles menores de 18 anos.

Para Ban Ki-moon, a qualidade e a quantidade da ajuda humanitária que entra na Faixa de Gaza "é insuficiente", a actividade económica e a reconstrução estão paradas no território e as pessoas que ali vivem têm negados os seus "direitos humanos básicos". 

Ler mais em Raide aéreo israelita mata mais de 140 em Gaza, dossier "Massacre em Gaza" e Epal junta-se a empresa israelita que viola o direito internacional .

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