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Tunísia: Portas no congresso do partido de Ben Ali

Ben-AliAlguns dias antes de chamar "ditador anunciado" a Hugo Chavez, Paulo Portas foi à Túnisia para participar no Congresso organizado pelo partido de Ben Ali, o homem que está no poder há mais de 20 anos e lá poderá ficar ainda muitos mais, dado que acabou com a limitação de mandatos. Várias ONGs têm protestado contra a violação dos direitos humanos e as limitações à liberdade de imprensa na Tunísia.
 

O blogue arrastão lembra que Paulo Portas, num artigo escrito no jornal Sol este Sábado, indignou-se contra Hugo Chavez, que “prende opositores”, “fecha televisões”, “quer ser um presidente vitalício” e que é “um ditador anunciado e só não vê quem não quer”.

Mas alguns dias antes Paulo Portas deslocou-se à Tunísia para participar no congresso organizado pela União Constitucional Democrática (RCD), o partido do poder na Tunísia, para debater a “Democracia e Desenvolvimento num mundo em mudança.” Precisamente o partido de Ben Ali, que está no poder há mais de 20 anos.

Depois de ter sido o alto responsável pela segurança interna da Tunísia, Ben Ali assumiu o cargo de Presidente em 1987, na sequência da deposição “por incapacidade” do anterior presidente Bourguiba, atestada por um relatório assinado por sete médicos.

Em 1994 e 1999 Ben Ali é reeleito Presidente, com 99,91% e 99,44% dos votos ,respectivamente. Nesta segunda eleição, apresentaram-se dois outros candidatos de partidos da oposição que obtiveram apenas algumas décimas.

Em 2002, Ben Ali promoveu um referendo para aprovar uma emenda constitucional que acaba com o limite de mandatos presidenciais e amplia o limite de idade máxima do chefe de Estado, permitindo-lhe continuar no poder pelo menos até 2014. Nesta refoma, é também criada uma segunda câmara, para além da já existente câmara dos deputados, contituída apenas por representantes do partido que está no poder.

Em 2004, Ben Ali vence novamente as eleições, naquilo que foi considerado pela Human Rights Watch e pela Amnistia Internacional “um simulacro de democracia”. Um dos principais candidatos da oposição foi impedido de imprimir e difundir o seu programa eleitoral.

Várias ONGs têm denunciado sucessivas violações de direitos humanos na Tunísia: centenas de pessoas estão presas por delito de opinião, há relatos de tortura nas prisões, não há independência do sistema judicial, as próprias organizações tunisinas de defesa dos direitos humanos são perseguidas, a internet é censurada.

Saiba mais pela Amnistia Internacional e Repórteres Sem Fronteiras

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