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Tribunal mantém neo-nazi Mário Machado na prisão

Extrema-direita no banco dos réusForam dez os neo-nazis detidos na operação policial da madrugada de quarta feira. Para além de Mário Machado, preso preventivamente, outros três foram submetidos pelo juíz a prisão domiciliária e os seis restantes devem apresentar-se periodicamente na esquadra da PSP. Os skinheads são acusados do crime de discriminação racial, tendo sido apreendidas pela PJ várias armas ilegais e grande quantidade de propaganda nazi. Este crime prevê uma pena até 8 anos de prisão para quem participe em organizações que incitem à discriminação e ódio racial. À espera de julgamento ficaram também um dirigente do PNR e o armeiro do grupo, investigado noutro processo acerca do tráfico de armas em Lisboa.

Oito dos detidos pertencem à organização Hammerskins Portugal, que só integra elementos que tenham passado por um "baptismo" de actos violentos. Mário Machado é o rosto mais visível deste grupo e foi condenado a quatro anos e três meses de prisão no processo do homicídio de Alcindo Monteiro em 1995, e desde então acusado por sequestro, extorsão, ameaças e posse ilegal de armas. Segundo o Correio da Manhã, agora Machado foi ouvido sobre a participação em actos de violência ocorridos nos últimos dois anos.

Outros dos skinheads agora detidos foram interrogados por terem participado no espancamento de uma rapariga em finais de 2005 que tinha sido definida como "alvo a abater" no site Forum Nacional, animado por Machado e outro dos detidos. Antes de entrarem no Tribunal de Instrução Criminal, no interior das carrinhas celulares, os neo-nazis lançaram vários gritos de "Viva Hitler" e foram aplaudidos pelos membros do PNR e skinheads que estiveram até à noite na porta do tribunal, motivando o reforço policial na zona.

A história do grupo Hammerskin português está ligada às claques de futebol, nomeadamente ao "Grupo 1143" que integra a Juventude Leonina e de que fazem parte oito dos detidos, diz o Jornal de Notícias. Este grupo tem ligações aos meios da segurança privada, tendo recentemente aparecido a "guardar" a Universidade Independente quando explodiu a crise interna entre as facções da direcção. Os skinheads foram manchete do semanário Sol e trabalhavam para o então reitor Luís Arouca. Um elemento dos Hammerskins foi também detido há dois anos no aeroporto da Portela em flagrante quando trazia na bagagem cocaína para traficar em Portugal. O financiamento das actividades da extrema-direita também está na mira da PJ e o mandato de busca à sede do PNR na passada quarta-feira incluía armas e droga.

O encontro dos nazis europeus continua agendado para amanhã, mas o concerto previsto não irá realizar-se, dado que a "empresa" de segurança contratada - a "Crew 38" de Machado e dos Hammerskins - não poderá deslocar-se até lá, por razões óbvias. A porta-voz dos organizadores, Rita Vaz, ter-se-à demitido do cargo de chefe da juventude do PNR após a operação policial, segundo o Correio da Manhã.

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