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Segunda noite de distúrbios em França

Polícia atira gás lacrimógénio sobre jovens em Villiers, arredores de Paris. Foto Lusa/EPA/MAXPPP/PHILIPPE DE POULPIQUET Pela segunda noite consecutiva houve confrontos entre jovens e as forças de segurança, em Villiers-le-Bell, nos subúrbios de Paris, onde na véspera dois adolescentes morreram na sequência de um acidente envolvendo a sua moto e um carro policial. Sessenta polícias ficaram feridos. O secretário nacional do sindicato da polícia disse ao Libération que "a situação é bem pior que a de 2005, devido ao aparecimento de armas ontem à noite."

 

Os estragos materiais também foram grandes: em Villiers, a biblioteca Louis-Jouvet foi completamente destruída por um incêndio e cerca de 60 automóveis foram queimados, incluindo um da polícia. Dezenas de lojas e restaurantes forma atacados, assim como uma agência das finanças. Foram incendiados carros e caixotes de lixo noutras localidades próximas: Cergy, Ermont, Goussainville, Fosses et Argenteuil. Em Sarcelles, houve confrontos entre a polícia e cerca de 50 jovens. A calma voltou a Villiers cerca da 1h30 da madrugada.

Os acontecimentos das duas últimas noites trazem à memória a onda de violência de há dois anos, nos subúrbios de Paris. Na altura, centenas de pessoas ficaram feridas e mais de 10 mil veículos e 30 edifícios foram incendiados.

O incidente que despertou a onda de protestos e de violência envolveu dois jovens, de 15 e 16 anos, que seguiam numa motorizada, e que morreram na sequência de uma colisão com um veículo da polícia. Os polícias argumentam que o acidente foi provocado pela falta de cedência de prioridade dos dois jovens num cruzamento, enquanto o veículo policial circulava "à velocidade regulamentar".

O irmão de uma das vítimas denunciou tratar-se de um acto de não assistência a pessoa em perigo, uma vez que, segundo ele, os polícias "não permaneceram no local" após a colisão.

A Procuradoria francesa já incumbiu a Inspecção-Geral da Polícia (IGPN) de realizar um inquérito por "homicídio involuntário e não assistência a pessoas em perigo".

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