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Professores voltam a manifestar-se no dia 30

Professores em luta. Foto de Paulete MatosA Plataforma sindical dos professores convocou para o próximo dia 30 de Maio uma nova manifestação nacional contra a política educativa de Maria de Lurdes Rodrigues. A manifestação será precedida de uma jornada de protesto, de luta e de luto no dia 26 de Maio, quando os docentes paralisarão dois tempos lectivos (90 minutos), durante os quais aprovarão posições de escola.


"É importante fazer um grande protesto contra o desrespeito que a equipa do ministério continua a manifestar pelos professores e pela escola pública", disse Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF

A plataforma vai ainda enviar uma carta aberta ao primeiro-ministro, no próximo dia 12, e no dia 20 vai entregar o abaixo-assinado que tem sido subscrito pelos docentes nas escolas.

Há duas semanas que a plataforma vinha ouvindo os educadores de infância e professores nas escolas. Das cerca de 1400 reuniões realizadas, "destacou-se um clima de grande insatisfação e profunda indignação dos professores", disse Mário Nogueira.

Os motivos de descontentamento, segundo os sindicalistas, prendem-se com a recusa do Ministério da Educação de alterar os aspectos mais gravosos do Estatuto de Carreira Docente, mantendo-se inflexível em relação à divisão dos professores em categorias e ao modelo de avaliação que insiste em aplicar.

Outros motivos de descontentamento são a sobrecarga de trabalho, a preocupação com que os professores aguardam o resultado de um concurso "de que deverá resultar um forte agravamento das situações de desemprego e de instabilidade profissional", e ainda outras razões, como a alteração da natureza do regime de vínculo laboral, a implementação do novo modelo de gestão, as novas regras da Educação Especial.

Os objectivos da mobilização, diz a Plataforma, são expressar "o mais veemente protesto pelas políticas educativas do Governo que, nos últimos 4 anos, desvalorizaram a profissão e a carreira docente." Além disso, exigir uma "verdadeira revisão do ECD" que elimine a divisão dos professores em categorias, "imposta por razões de ordem administrativa e financeira, que revogue a absurda prova de ingresso na profissão, que reveja profundamente o modelo de avaliação, acabando, também, com as quotas que o condicionam"; e ainda exigir a suspensão do "simplex" avaliativo que, "para além da sua natureza negativa, é de constitucionalidade e legalidade duvidosa".

Os docentes reivindicam ainda a negociação, neste ano lectivo, de normas pedagogicamente adequadas com vista à organização das escolas e à elaboração dos horários dos professores para o próximo ano lectivo.

Finalmente, diante da proximidade das eleições, apontam para a necessidade de "o próximo governo dar a atenção devida à Educação, investindo inequivocamente no sector, tomar medidas que dignifiquem e valorizem, profissional, material e socialmente, os docentes e que contribuam para a valorização da Escola Pública, deixando, desde já, esse sinal aos partidos políticos que agora elaboram os seus programas e assumem os seus compromissos eleitorais."

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