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Professores: governo insiste nas quotas

Isabel Alçada diz que nem todos os docentes com classificação de "bom" podem aspirar chegar ao topo da carreira, porque essa classificação "abrange um quadro muito amplo de professores". Fenprof diz que esse ponto é inegociável. Nova reunião marcada para 7 de Janeiro.

Terminou mais uma vez sem acordo a rodada negocial entre o Ministério da Educação e a Fenprof. O principal ponto de discórdia tem a ver com a insistência do Ministério de Isabel Alçada de impedir o acesso ao topo da carreira a professores que tenham a classificação de "bom". A ministra argumenta que essa classificação "abrange um quadro muito amplo de professores".

Já Mário Nogueira voltou a afirmar que "não existe nenhuma hipótese de haver um acordo" se a nova proposta do Governo não garantir que todos os professores avaliados com "bom" possam atingir o topo da carreira.

Para Isabel Alçada, "no início da carreira, todos os professores, potencialmente, podem chegar ao topo, mas não podem ter todos a garantia de que chegam. Isso não acontece em nenhuma carreira e seria uma injustiça relativa. Esperamos que os sindicatos façam um esforço de aproximação", disse em conferência de imprensa.

Mas Mário Nogueira insistiu que "a Fenprof deixou claro que qualquer solução de carreira que não garanta a quem tem 'bom' atingir o topo da carreira não tem nenhuma hipótese de ter acordo da nossa parte".

Segundo o sindicalista, na quinta-feira da próxima semana haverá nova ronda negocial e o Ministério comprometeu-se a enviar aos sindicatos uma nova proposta.

"A próxima reunião talvez seja a última oportunidade para o Governo", disse Mário Nogueira. "Penso que os professores não têm nada a perder em dar esta última oportunidade, mas com uma certeza: se não chegarmos a acordo não iremos recorrer à negociação suplementar, iremos imediatamente recorrer à Assembleia da República."

Quanto a questões não relacionadas com a progressão na carreira, Mário Nogueira adiantou que o Ministério da Educação aceitou já eliminar a prova de ingresso na carreira e outros pontos relacionados com "o período e o regime transitório de um modelo para o outro".

Para a deputada Ana Drago, do Bloco de Esquerda, o resultado da reunião desta quarta-feira foi "um clamoroso falhanço do Governo": "O governo mantém a mesma incapacidade de encontrar uma solução justa", afirmou, sustentando que o Executivo de José Sócrates "está preocupado apenas, e somente, com os custos salariais da progressão na carreira" docente.

O Bloco de Esquerda entende que a revisão do modelo de desempenho "condiciona a progressão de carreira" dos professores porque "continua assente em burocracia" e defende um estatuto de carreira que "permita melhorar a prática produtiva" dos docentes, assim como mecanismos de formação e avaliação externa.

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