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Placa da ex-sede da PIDE: reposta mas em local escondido

Pode ver-se, no canto inferior direito, a placa reposta no edifício da ex-sede da PIDE/DGS. Foto blogue Caminhos da Memória A antiga sede da PIDE/DGS, agora um condomínio de luxo, voltou a ter a placa evocativa dos 4 jovens assassinados no 25 de Abril de 74. Já há causa no Facebook para exigir que esta regresse ao local original.

A placa evocativa da memória das últimas vítimas da PIDE, os 4 jovens assassinados no dia da Revolução de Abril, voltou ao edifício onde estava, à ex-sede da PIDE/DGS que agora é um condomínio de luxo.

A placa tinha sido retirada aquando das obras de recuperação do edifício, e a sua não recolocação posterior motivou uma queixa feita pelo movimento Não Apaguem a Memória (NAM) à direcção do empreendimento imobiliário. Agora foi finalmente reposta mas num local quase invisível para quem passa, num menor canto inferior do edifício. No blogue Caminhos da Memória, anuncia-se que já foi criada uma causa no Facebook para “Exigir que a placa na sede da PIDE regresse ao seu lugar!”.

Invocação inscrita na placa:

“Aqui, na tarde de 25 de Abril de 1974, a PIDE abriu fogo sobre o povo de Lisboa e matou: Fernando C. Gesteira, José J. Barneto, Fernando Barreiros dos Reis, José Guilherme R. Arruda. Homenagem de um grupo de cidadãos - 25-4-1980”

Numa visita ao local para recordar a sua intervenção de ocupação da sede da PIDE/DGS no dia 25 de Abril de 1974, os comandantes de Abril Carlos de Almada Contreiras e Luís da Costa Correia, acompanhados pela professora Luísa Tiago de Oliveira, historiadora do ISCTE, “nem queriam acreditar no que (não) viam”, relata Jorge Martins no blogue Caminhos da Memória. A professora, fundadora do NAM, contactou com a direcção desta Associação, que reuniu e desencadeou algumas acções no sentido de saber o que se estava a passar, incluindo o contacto com a administração do empreendimento imobiliário no sentido de exigir a reposição da placa.

Com passividade perante a preservação da memória de um dos locais mais paradigmáticos e sinistros da repressão da ditadura fascista, a sede da PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso, ao Chiado, em Lisboa, vendeu-se o edifício para ser transformado num condomínio privado de luxo.

A promoção comercial dos apartamentos no site do Paço do Duque simplesmente apaga a história recente do edifício, escondendo a tortura e a repressão fascista e invocando apenas o passado dos moradores nobres e mais antigos: “À noite, à hora da ceia, tudo brilhava, com as luzes a reflectirem-se nas pratas do aparador e nas vestes de gala dos cavaleiros e das damas da corte Portuguesa”.

Desde a sua criação, em 5 de Outubro de 2005, o Movimento Não Apaguem a Memória procura preservar, tanto quanto possível, a memória do local. Chegaram a negociar com o dono da obra, com a intermediação da Câmara Municipal de Lisboa (CML), a instalação de um núcleo museológico dentro do edifício com o aproveitamento do espaço de uma antiga cisterna e uma sala contígua com saída para a Rua Víctor Cordon. No entanto, o projecto caíu num impasse a partir do momento em que os serviços da Câmara consideraram não ter o local condições de segurança para acesso do público, nomeadamente intervenção dos bombeiros.

Entretanto espera-se que se cumpra o estipulado num protocolo entre a CML e o NAM para a “edificação de um Memorial às vítimas da PIDE/DGS na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa”, conforme se pode ler no site do movimento.

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