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"As pessoas habituaram-se ao medo", constatou Miguel Portas em Gaza

Palestinianos procuram abrigo no Norte de Gaza. Foto EPA/MOHAMMED SABERUma delegação do Parlamento europeu da qual fez parte o deputado português Miguel Portas, do Bloco de Esquerda, conseguiu entrar durante hora e meia em Gaza, no período de trégua deste domingo, e constatou a situação humanitária desesperante que se vive no território, e que Israel não respeita nem a própria trégua. "Quatro bombas caíram perto de onde estávamos durante a trégua, uma das quais a menos de 500 metros", disse ao Esquerda.net, por telefone, Miguel Portas.

Os deputados europeus visitaram um dos centros da ONU que acolhe mais de 1200 mulheres e crianças - muitas das quais ficaram sem família devido aos bombardeamentos - em Arafat, no sul de Gaza. "Foi impressionante a festa com que nos receberam, até porque fomos praticamente os primeiros a furar o bloqueio e chegar até eles", relatou Miguel Portas, que ficou impressionado pela forma como os palestinianos reagem à queda das bombas - duas delas explodiram durante a visita ao centro de acolhimento: "Era como se não tivesse acontecido nada. Aquelas pessoas habituaram-se às bombas. É como se tivessem perdido o medo por se terem habituado a ele."

Nas ruas, durante a trégua, Miguel Portas observou que há bastante movimento, as pessoas saem à procura de comida ou para visitar familiares, mas há pouco ou nada para comprar: o eurodeputado do Bloco viu uma ou duas lojas a vender xampôs e sabonetes, e uma loja de verduras. "As pessoas aqui vivem da ajuda das organizações humanitárias da agência da ONU para os refugiados (UNRWA): recebem uma caixa com quatro latas e um pouco de farinha", observou Miguel Portas.

Um representante da UNRWA explicou a Miguel Portas como a versão de Israel de que as escolas de refúgio da ONU estão a ser usadas pelo Hamas para guardar armas é absurda: "Nunca as mães trariam os seus filhos para cá, como é óbvio."

O deputado europeu do Bloco também verificou a situação dramática dos centros hospitalares, onde já se fazem cirurgias sem anestesia: "Felizmente há alguns casos mais graves que estão a ser evacuados para hospitais egípcios".

A delegação do Parlamento europeu esperou mais de uma hora na fronteira de Rafah até que a UNRWA os conduzisse para o interior de Gaza, onde estiveram em Rafah e Arafat. "Os israelitas recusavam-se a responsabilizar-se pela nossa segurança, até no período de trégua. Foi necessária muita pressão da ONU para que finalmente a permissão fosse dada."

Além de Miguel Portas, participam nesta visita Luísa Morgantini (Itália), Helene Flautre (França), David Hammerstein (Espanha), Kyriacos Triantaphylides (Chipre), Feleknas Uca (Alemanha), Graham Davies (Reino Unido) e Verónique de Keyser (Bélgica).

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