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PCP expulsa Luísa Mesquita

Luísa MesquitaO PCP expulsou a deputada Luísa Mesquita, acusando-a de "incumprimento de princípios estatutários" e de "afrontamento ao partido". Luísa Mesquita, que recusou a subsituição há um ano, acusa o PCP de mentir e de a ter tentado "comprar" quando em troca lhe ofereceu "um emprego na Península de Setúbal". A deputada vai continuar como independente e o PCP passa assim a quarta força política no parlamento, a única sem mulheres na bancada. Dois presidentes de juntas de freguesia de Santarém, eleitos pela CDU, já entregaram os cartões de militante.
 

A tensão entre a deputada e o PCP começou quando em Novembro de 2006 Luísa Mesquita recusou ser substituída no parlamento, contra a vontade do Partido. Ontem, a Direcção da Organização Regional de Santarém (DORSA) anunciou a expulsão da deputada devido a "grave violação" dos estatutos partidários e quebra de compromissos assumidos.

O PCP destaca ainda uma "postura de crescente afrontamento ao partido", uma "ostensiva acção desenvolvida à margem do grupo parlamentar", o recurso a "calúnias e à mentira", e acusa Luísa Mesquita de "usurpar um mandato que não lhe pertence".

Luísa Mesquita reagiu acusando o PCP de mentir. «O comentário mais geral que posso fazer, usando a linguagem que o PCP utiliza, é que se trata de um comunicado repleto de mentiras desde o primeiro ao último ponto», considera.

A deputada denuncia também que «de forma indigna, vergonhosa e inqualificável», o partido afirma que procurou resolver a sua situação profissional, descendo «ao mais baixo nível». A deputada esclareceu que o partido não quer é que se saiba que tentou «comprar» a sua saída do Parlamento oferecendo-lhe um emprego «na Península de Setúbal». E conclui: "Face a tal indignidade, a minha resposta foi que o lugar não estava à venda"

Luísa Mesquita acusa ainda a direcção de agir «quer em termos regionais quer nacionais com uma total ausência de ética e rigor», lamentando ter conhecimento da expulsão pela comunicação social.

Sobre o alegado incumprimento dos estatutos, a deputada acusou o PCP de a ter enganado, uma vez que lhe foi garantido pela direcção partidária que se se recandidatasse nas eleições de 2005, seria para cumprir o mandato até 2009.

Luísa Mesquita assegura que vai continuar a desempenhar as funções de deputada na Assembleia da República e de vereadora na Câmara de Santarém como independente. Como exemplo do que nunca faria, Luísa Mesquita apontou uma das propostas do PCP para o PIDDAC do Distrito em 2008, a construção do quartel dos Bombeiros Voluntários de Pernes, há muito construído. «Comigo, não teria sido possível uma vergonha destas», afirmou.

Em solidariedade com a deputada, dois Presidentes de Junta do Concelho de Santarém, eleitos pela CDU, entregaram hoje os seus cartões de militantes do PCP. Seis dos sete presidentes de junta deste Concelho manifestam-se solidários com Luísa Mesquita.

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