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Papa recua e reconhece injustiças com os índios das Américas

papabentoxviDepois de ter recebido críticas frontais em toda a América Latina, o Papa Bento XVI reconheceu finalmente que a colonização e a evangelização dos índios da América não foi exactamente suave. Numa declaração pública feita no Vaticano, o Papa declarou que não se pode "esquecer os sofrimentos e as injustiças infligidas pelo colonizador aos povos indígenas, cujos direitos humanos fundamentais foram espezinhados." Um dos críticos do Papa fora o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que pediu a Bento XVI que apresentasse desculpas: "Não entendo como pode afirmar que a evangelização não foi imposta, se chegaram aqui com arcabuzes e entraram com sangue, chumbo e fogo."

Tal como tínhamos noticiado no Esquerda.net, o Papa afirmou na abertura da Quinta Conferência do Episcopado Latino-Americano e das Caraíbas em Aparecida do Norte, no Brasil, em 13 de Maio, referindo-se à evangelização dos povos indígenas das Américas, que o "anúncio de Jesus e do seu Evangelho" aos povos indígenas "não supôs, em nenhum momento, uma alienação das culturas pré-colombianas, nem foi uma imposição de uma cultura estrangeira".

Foram estas as declarações que provocaram a ira de Chávez, bem como de muitos dirigentes indígenas, historiadores e antropólogos do continente.

"Aqui, com Colombo, não chegou Cristo, chegou o Anticristo. O Holocausto indígena foi pior que o Holocausto da II Guerra Mundial e nem o Papa nem ninguém pode negá-lo", disse Chávez. "Como chefe de Estado rogo a Sua Santidade que se desculpe".

Na declaração de ontem, Bento XVI disse que missionários como Bartolomeu de las casas tinham já condenado as "sombras" e os "crimes injustificáveis" cometidos durante a colonização. Mas o Papa continuou a acentuar a "obra maravilhosa" dos evangelizadores e a preocupação de integrar "as ricas tradições pré-colombianas".

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