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Padres exigem soluções sociais para a Bela Vista

 LusaOs Padres da Vigararia de Setúbal defendem em comunicado que "os acontecimentos que se têm verificado nos últimos dias não podem explicar-se apenas como actos de violência", enquanto o Padre Constantino Alves sugere é fundamental "remover" as causas dessa violência. No Parlamento, Francisco Louçã exigiu um "programa de urgência" para a Bela Vista.

 

Em comunicado tornado público, os Padres da Vigararia de Setúbal sustentam que "os acontecimentos negativos que se têm verificado nos últimos dias, no bairro da Bela Vista da cidade de Setúbal, não podem explicar-se apenas como puros actos de desordem e de violência de uma dúzia de jovens", afirmando que a solução "não está apenas na intervenção das forças da ordem, ignorando as verdadeiras causas remotas e próximas deste deplorável fenómeno social".

O comunicado destaca ainda as características sociológicas do bairro da Bela Vista, salientando a existência de "cancros e tumores sociais em evolução permanente - índices muito elevados de desemprego, de pobreza e exclusão social ou degradação habitacional" ou "o elevado número de famílias desagregadas, forte índice de analfabetismo e abandono precoce da escola (...), famílias numerosas enjauladas enjauladas em reduzidas habitações, sem esperança de uma casa".

Também o Padre Constantino Alves, em artigo de opinião, salienta que "Índices de desemprego, pobreza e exclusão social elevadíssimos, degradação habitacional, elevado número de famílias degradadas afectivamente, impotência para resolverem os mais variados problemas (...), que sentimentos germinam dentro de adolescentes e jovens?"

Por seu lado, o presidente da Caritas em Portugal salientou a má imagem que a imprensa está a transmitir dos habitantes do bairro, criticando a actuação dos orgãos de comunicação. Eugénio Fonseca explicou que "esta gente é boa" e que "não merece a imagem que os média têm passado".

Por seu lado, Francisco Louçã, em intervenção parlamentar na quarta feira, acusou José Sócrates de "demagogia irresponsável e básica" em relação a este assunto, exigindo um "programa de emergência" para enfrentar os problemas sociais do bairro da Bela Vista.
 

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