Oposição condena autoritarismo do Governo

05 de July 2007 - 18:58
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jose_socratesRepresálias sobre os trabalhadores grevistas; instauração de um processo ao professor que fez uma piada sobre o curso de josé Sócrates; demissão da Directora de um Centro de Saúde por causa de um cartaz "jocoso"; nomeação em catadupa de militantes do PS para cargos na sub-região de saúde de Braga; perseguição a funcionários públicos acusados de "bufos"; manifestantes anti-sócrates processados; uma Secretária de Estado que diz que criticar o Governo só em casa e no café. A oposição acusou o Governo de não respeitar as regras democráticas e de derivar para o puro autoritarismo.

João Semedo, deputado do BE, foi peremptório: «Para o PS, a administração pública, os serviços públicos, dirigem-se, orientam-se e comandam-se como um gigantesco exército em tempo de guerra, movido a uma só voz, em que fala o de cima e cala o de baixo, à velha maneira da boa disciplina e do muito respeitinho que quem manda aqui somos nós.»



Veja aqui a intervenção de João Semedo.
 

O Governo e o Partido Socialista foram hoje duramente criticados na Assembleia da República, pelas medidas autoritárias e anti-democráticas que se sucedem todos os dias. Todos os partidos da oposição intervieram para denunciar o "clima de medo" imposto pelo Governo.



João Semedo começou por recordar o "triste espectáculo" fornecido pelos deputados do PS da Comissão de Saúde, garantindo que o assunto " não morreu nem vai ficar entre as quatro paredes da sala 8". "O Parlamento e o país precisam e justificam que se saiba do que o PS é capaz e de que direitos se julga possuído por dispor de um mandato para governar por quatro anos".



João Semedo acusou os deputados do PS de olharem para a administração pública como uma "extensão do partido" e para os funcionários públicos como "cidadãos de segunda sem direito a pensamento próprio e muito menos liberdade de expressão". E aqueles que não se conformam "são os bufos, para usar a expressão do deputado socialista Ricardo Gonçalves"



Sobre a directora de Vieira do Minho demitida, João Semedo assinalou a contradição de Correia de Campos, que num dia "se defendia de uma das suas afirmações sobre os medicamentos que poderiam ser dados aos pobres, dizendo que se tratava apenas de "uma resposta jocosa" e no outro criticava o cartaz do Centro de Saúde por conter "palavras jocosas". "Há palavras que matam, senhores deputados, e o único elemento jocoso em toda esta história é a entrevista do ministro que está na origem do caso" - rematou Semedo.


O deputado do Blcoo de Esquerda concluiu: «Denunciamos, e recusamos, a partidarização dos cargos de nomeação governamental, a instrumentalização dos dirigentes da administração pública, o autoritarismo e a repressão como instrumentos de gestão. A democracia exige um administração pública em que se respire o ar puro da liberdade.»